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Capa Petróleo, Gás & Biocombustível

Dívida de R$65 bilhões leva Raízen a pedir recuperação extrajudicial

Gigante da bioenergia busca reestruturar passivo com credores e afirma que operações seguem normalmente

MARCELO SAMPAIO por MARCELO SAMPAIO
11/03/2026
em Petróleo, Gás & Biocombustível
Tempo de Leitura: 4 minutos
A A
Raízen

Plano envolve negociação com credores, venda de ativos e conversão de dívida em participação acionária

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A  Raízen, uma das maiores empresas de energia e bioenergia do Brasil, anunciou nesta quarta-feira (11) que protocolou na Justiça de São Paulo um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras. Segundo fato relevante divulgado ao mercado, a medida foi estruturada em acordo com os principais credores financeiros quirografários da companhia. Até o momento, credores que representam mais de 47% dessas dívidas já aderiram ao plano, percentual suficiente para o ajuizamento do pedido.

O objetivo é criar um ambiente jurídico seguro para a reestruturação das obrigações financeiras do grupo, que pode incluir capitalização pelos acionistas, conversão de parte da dívida em ações, emissão de novos instrumentos de dívida, reorganizações societárias e eventual venda de ativos.

A empresa destacou que o processo tem escopo exclusivamente financeiro. Dívidas com clientes, fornecedores, revendedores e parceiros comerciais não estão incluídas e continuam sendo pagas normalmente. As operações da companhia seguem sem alteração. Pela legislação brasileira, a empresa terá até 90 dias para obter a adesão do percentual mínimo de credores necessário para homologação judicial do plano.

O que é recuperação extrajudicial

A recuperação extrajudicial é um mecanismo previsto na Lei de Recuperação e Falências – Lei 11.101/2005 que permite a empresas renegociar dívidas diretamente com credores, fora de um processo tradicional de recuperação judicial.

Na prática, funciona assim:

  • A empresa negocia previamente um plano com parte dos credores.
  • Após reunir adesão mínima, leva o acordo à Justiça para homologação.
  • Uma vez aprovado, o plano passa a vincular todos os credores daquela classe, inclusive os que não aderiram.

A principal diferença para a recuperação judicial é que o processo costuma ser mais rápido, focado em dívidas específicas e menos complexo, já que parte das negociações ocorre antes da entrada na Justiça.

Análise: por que isso importa

1 –  Um dos maiores processos de reestruturação do setor de energia

A dívida de R$ 65 bilhões coloca o movimento da Raízen entre as maiores reestruturações financeiras recentes do país no setor de energia, combustíveis e bioenergia. A empresa é uma das principais operadoras globais de etanol, açúcar, energia renovável e distribuição de combustíveis, o que torna qualquer mudança estrutural relevante para o mercado.

2 – A estratégia indica tentativa de reorganização antes de uma crise mais profunda

Ao optar pela recuperação extrajudicial, a companhia sinaliza que busca reorganizar o balanço de forma negociada, evitando um processo mais pesado como a recuperação judicial.

Esse tipo de movimento costuma ocorrer quando empresas enfrentam:

  • endividamento elevado
  • pressão de juros
  • necessidade de alongar prazos
  • reorganização estratégica do portfólio

3 –  Possível venda de ativos e reorganização do grupo

O plano menciona venda de ativos e reorganizações societárias, o que pode indicar:

  • desinvestimentos em operações específicas
  • separação de negócios
  • entrada de novos investidores
  • conversão de dívida em participação acionária

Esse tipo de reestruturação pode mudar o desenho do grupo nos próximos anos.

4 –  Impacto no setor de energia e biocombustíveis

A Raízen é um dos maiores players do mercado brasileiro de:

  • etanol
  • açúcar
  • bioenergia
  • distribuição de combustíveis

Uma reorganização financeira dessa magnitude pode afetar:

  • dinâmica de investimentos no setor
  • projetos de transição energética
  • estratégia de expansão em biocombustíveis.

O que o mercado deve observar agora

Nos próximos meses, três fatores serão decisivos:

1 – Adesão dos credores:  A empresa precisa atingir o percentual mínimo para homologação judicial do plano.

2 –  Possíveis vendas de ativos: Desinvestimentos podem surgir como parte da estratégia de redução de dívida.

3 –  Capitalização pelos acionistas: O plano prevê a possibilidade de aporte de capital para fortalecer o balanço.

Perfil da Raízen

A Raízen é uma empresa integrada de energia, criada em 2011 como uma joint venture entre a anglo-holandesa Shell  e o grupo brasileiro Cosan. Atua na produção de etanol, açúcar e bioenergia, bem como na distribuição de combustíveis sob a marca Shell em diversos países da América do Sul. É considerada uma das maiores companhias privadas do Brasil e um dos principais agentes globais da transição energética.

  • Fundação: 2011 (joint venture entre Shell e Cosan)

  • Sede: São Paulo, Brasil

  • Receita líquida:  R$ 60,4 bilhões

  • Colaboradores: mais de 46 000

  • Presença: Brasil, Argentina e Paraguai


Leia também: Uma potência que nasceu em Salvador


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Tags: açúcarbiocombustíveisCosanenergiaenergia renováveletanolRaízenShell
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