Janeiro de 2026 não foi apenas mais um mês de sol e praias cheias em Salvador; foi o mês em que a hotelaria da capital confirmou que sua estratégia de valorização está colhendo frutos robustos. De acordo com dados da ABIH-BA (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Seção Bahia), a taxa de ocupação atingiu 77,13%, superando o desempenho de igual mês de 2025 (75,01%). No entanto, o verdadeiro “ouro” do relatório não está apenas no número de camas ocupadas, mas no quanto o turista está disposto a pagar pela experiência soteropolitana.
A diária média deu um salto de 14,5%, atingindo a marca de R$897,42. Esse movimento puxou para cima o RevPAR (receita por apartamento disponível), que cresceu expressivos 17,7%, chegando a R$692,19. Em termos práticos: o setor está conseguindo faturar mais e melhor, otimizando o inventário hoteleiro e elevando o patamar econômico do destino.
Geografia do lazer e logística aérea
O mapa da ocupação revela uma Salvador dividida pela vocação do Verão. Enquanto os polos de lazer, como Barra-Ondina e Itapuã-Stella Maris, operaram com motores a pleno vapor, as áreas corporativas mantiveram um ritmo mais cadenciado, comum ao período.
Essa performance foi sustentada por dois pilares invisíveis aos olhos do turista, mas fundamentais para a economia real:
- Conectividade: O aumento de 14% na oferta de assentos no Aeroporto de Salvador garantiu o fluxo.
- Internacionalização: A malha aérea internacional mais robusta está trazendo um visitante que fica mais tempo e gasta mais, injetando moeda estrangeira diretamente na cadeia produtiva local.
Aposta no Carnaval
Para Wilson Spagnol, presidente da ABIH-BA, os números validam o posicionamento de Salvador como um ativo global. “O crescimento de todos os indicadores em janeiro mostra que Salvador segue fortalecendo seu posicionamento no mercado nacional e recuperando espaço no cenário internacional”, analisa.
Agora, os olhos do setor se voltam para o Carnaval. A expectativa não é apenas por “casa cheia”, mas por superar as marcas históricas do último ano, consolidando o primeiro trimestre de 2026 como um dos mais rentáveis da última década para a hospitalidade baiana.
O desafio agora? Sustentar margens e manter competitividade ao longo do ano, quando o turismo de lazer perde intensidade e o mercado corporativo volta a testar a resiliência do setor.
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