O Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE), aprovou mais de R$760 milhões em novos investimentos industriais na primeira reunião de 2026 do Conselho Deliberativo dos Programas Desenvolve e ProBahia. Ao todo, 34 projetos foram contemplados, com previsão de 1.344 empregos diretos em diversas regiões do estado.
Do total aprovado, quatro projetos integram o Programa Desenvolve, somando R$30,4 milhões em investimentos fixos e 167 novos postos de trabalho nos municípios de Salvador, Santo Antônio de Jesus, Jequié e Caetité. As iniciativas envolvem implantação e ampliação de empreendimentos industriais.
Já o ProBahia concentrou o maior volume: 30 projetos, equivalentes a R$730,2 milhões e estimativa de 1.177 empregos diretos. Os investimentos abrangem setores estratégicos como alimentos, calçados, móveis, plástico, metalurgia, produtos de limpeza, papel e embalagens.
Entre os destaques está a implantação de uma indústria de calçados em Ibicuí, com previsão de 650 empregos. Também foram aprovados projetos em Camaçari, Lauro de Freitas, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Barreiras, Guanambi, Cruz das Almas e Itapicuru, reforçando a descentralização industrial.
Entre 2023 e 2025, a política de incentivos fiscais do estado resultou na implantação de 254 empreendimentos, que somam aproximadamente R$38 bilhões em investimentos e estimam 13,7 mil empregos diretos. Nesse ciclo, destacam-se a instalação da BYD no Polo de Camaçari, além de projetos em energia renovável com grupos como Goldwind, Sinoma e Enel Green Power.
Análise Contextual
O que aconteceu
- O governo baiano aprovou R$ 760 milhões em novos investimentos industriais via programas de incentivo fiscal, sinalizando continuidade da política de atração e interiorização produtiva.
Por que isso importa
- A aprovação ocorre em um momento de juros elevados e desaceleração nacional, quando decisões privadas de investimento tendem a ser postergadas. Ao acelerar incentivos e garantir previsibilidade tributária, o estado reduz risco e melhora a taxa de retorno dos projetos.
Além disso
- Reforça a estratégia de interiorização do desenvolvimento, reduzindo concentração em Salvador e Camaçari.
- Consolida cadeias tradicionais (calçados, alimentos, plástico) com forte impacto em emprego intensivo.
- Mantém a Bahia competitiva na disputa interestadual por plantas industriais.
Num ambiente de guerra fiscal mitigada, mas ainda presente, a política ativa de incentivos segue como instrumento central de política industrial regional.
Quem ganha e quem perde
Ganham
- Municípios do interior com novos polos industriais
- Cadeias produtivas locais que ganham escala.
- O governo estadual, que amplia base produtiva e arrecadação futura.
Risco potencial
- Pressão fiscal de longo prazo caso os incentivos não se convertam em expansão sustentável de arrecadação.
O que fazer com essa informação
Para empresários
- A sinalização é clara: a Bahia segue agressiva na política de atração industrial. Há janela de oportunidade para novos projetos com estrutura de incentivos competitiva.
Para investidores
- Municípios citados tendem a registrar aumento de demanda por galpões, logística, serviços industriais e imóveis comerciais.
Para gestores públicos
- O desafio agora é garantir infraestrutura, qualificação de mão de obra e integração logística para sustentar os investimentos aprovados.
Leitura estratégica final
Mais do que o volume de R$ 760 milhões, o movimento indica que a Bahia mantém uma política industrial ativa, mesmo em cenário macroeconômico desafiador. A questão central não é apenas atrair investimentos – é garantir que eles se transformem em produtividade, encadeamento local e competitividade estrutural.
Se bem executada, a estratégia reforça a posição do estado como um dos principais polos industriais do Nordeste na próxima década.
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