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Capa Atualidades

Lula sanciona orçamento de R$ 6,54 tri com veto a emendas

Governo barra R$ 400 milhões em emendas consideradas irregulares e prevê superávit de R$ 34,2 bi

INDÚSTRIA NEWS por INDÚSTRIA NEWS
14/01/2026
em Atualidades
Tempo de Leitura: 6 minutos
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Gastos do governo em 2026
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quarta-feira (14) a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, que fixa as despesas públicas e estima as receitas ao longo do ano. A norma foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União e prevê um orçamento total de R$ 6,54 trilhões, com meta de superávit de R$ 34,2 bilhões.

O presidente vetou dois dispositivos que somam quase R$ 400 milhões em emendas parlamentares, alegando inconformidades legais. Segundo o governo, as emendas foram incluídas durante a tramitação do texto e não constavam na programação orçamentária enviada pelo Executivo, contrariando a Lei Complementar 210/24. O veto será apreciado por deputados e senadores, que poderão mantê-lo ou derrubá-lo.

O salário mínimo passa de R$ 1.518 para R$ 1.621 em 2026. As áreas de Saúde e Educação receberão R$ 271,3 bilhões e R$ 233,7 bilhões, respectivamente. Para programas sociais, o Bolsa Família contará com R$ 158,63 bilhões, o Pé de Meia terá R$ 11,47 bilhões e o programa do botijão de gás garantiu R$ 4,7 bilhões.

O texto aprovado pelo Congresso Nacional no fim de 2025 prevê aproximadamente R$ 61 bilhões em emendas parlamentares. Desse total, cerca de R$ 37,8 bilhões são destinados a emendas impositivas, de pagamento obrigatório: R$ 26,6 bilhões em emendas individuais e R$ 11,2 bilhões em emendas de bancada. As emendas de comissão, sem execução obrigatória, somam R$ 12,1 bilhões.

Além do veto de R$ 400 milhões, há expectativa de que o governo edite outros atos normativos para remanejar mais R$ 11 bilhões em emendas parlamentares para outras ações. [Fonte: Agência Brasil]

Por que isso importa

A sanção do orçamento de 2026 define não apenas quanto o governo gastará, mas principalmente como serão distribuídos R$ 6,54 trilhões entre políticas públicas, investimentos e compromissos sociais. Para o setor empresarial, esse orçamento sinaliza prioridades governamentais, áreas de investimento público e o compromisso com a responsabilidade fiscal através da meta de superávit de R$ 34,2 bilhões.

O veto presidencial às emendas parlamentares e a possível realocação de R$ 11 bilhões adicionais revelam uma tensão entre Executivo e Legislativo sobre o controle dos recursos públicos. Essa disputa afeta diretamente investimentos em infraestrutura, programas regionais e obras que impactam o ambiente de negócios em estados e municípios.

Mas o que esses números realmente significam para o futuro dos negócios e da economia brasileira em 2026?

O contexto por trás dos números

1. Equilíbrio fiscal como prioridade estratégica
A meta de superávit de R$ 34,2 bilhões representa uma mudança de trajetória após anos de déficits. Essa meta busca reduzir a relação dívida/PIB e melhorar a percepção de risco-país, impactando taxas de juros e custo de crédito para empresas.

2. Limitação do poder parlamentar sobre orçamento
Os vetos às emendas sinalizam um endurecimento na aplicação da LC 210/24, que regulamentou as emendas parlamentares após decisões do STF. O governo busca retomar controle sobre a execução orçamentária, reduzindo o espaço de manobra dos congressistas e priorizando a governabilidade fiscal sobre acordos políticos tradicionais.

3. Concentração em programas sociais estruturantes
Com R$ 158,63 bilhões para o Bolsa Família e aumento de 6,8% no salário mínimo, o orçamento mantém foco na sustentação do consumo das classes mais baixas. Essa estratégia impacta diretamente setores como varejo, alimentos, construção civil popular e serviços básicos.

4. Pressão sobre investimentos públicos
Apesar do orçamento trilionário, a maior parte dos recursos está comprometida com despesas obrigatórias (previdência, funcionalismo, dívida). A disputa por emendas e possível remanejamento de R$ 11 bilhões indica que investimentos discricionários em infraestrutura e inovação continuarão comprimidos, dependendo mais de parcerias público-privadas.

O que isso significa na prática

Para empresários

Este orçamento apresenta oportunidades em setores ligados a políticas sociais e serviços essenciais. Empresas de tecnologia educacional podem explorar os R$ 233,7 bilhões destinados à Educação, enquanto o setor de saúde privada pode buscar parcerias nos R$ 271,3 bilhões da Saúde. O aumento do salário mínimo para R$ 1.621 amplia marginalmente o poder de consumo, beneficiando varejo popular, alimentos básicos e serviços de baixo custo.

A principal ameaça está na incerteza sobre investimentos em infraestrutura. A disputa por emendas e possível realocação de R$ 11 bilhões cria imprevisibilidade para obras regionais e contratos que dependem de recursos parlamentares. Setores como construção civil, engenharia e fornecedores de serviços públicos enfrentarão maior volatilidade na execução de projetos.

Ação recomendada: Diversificar fontes de receita, reduzir dependência de contratos com emendas parlamentares e explorar PPPs (Parcerias Público-Privadas) como alternativa para projetos de infraestrutura. Empresas ligadas ao consumo popular devem aproveitar o ciclo de políticas sociais expansionistas.

Para profissionais

É uma notícia mista. O aumento do salário mínimo beneficia diretamente trabalhadores da base da pirâmide e aposentados, melhorando poder de compra. Os investimentos robustos em Educação (R$ 233,7 bi) e programas como Pé de Meia (R$ 11,47 bi) sinalizam oportunidades para educadores, gestores educacionais e profissionais de tecnologia educacional.

No entanto, a contenção fiscal e priorização de despesas obrigatórias limitam concursos públicos e contratações no setor público. Profissionais que dependem de projetos financiados por emendas parlamentares (consultorias regionais, prestadores de serviços para prefeituras) enfrentarão maior instabilidade devido aos vetos e realocações.

Ação recomendada: Profissionais do setor público devem buscar especialização em áreas prioritárias (saúde, educação, assistência social). Trabalhadores autônomos e consultores devem diversificar carteira de clientes, reduzindo exposição a contratos municipais dependentes de emendas. Considere migração para setores privados com crescimento estrutural.

Para o setor

Três tendências estruturais emergem deste orçamento:

  1. Recentralização do controle orçamentário: O Executivo busca retomar protagonismo na alocação de recursos, reduzindo poder parlamentar. Isso pode reduzir fragmentação de investimentos, mas aumenta risco de politização na execução orçamentária.

  2. Consolidação de políticas sociais como motor econômico: Com mais de R$ 170 bilhões em programas de transferência direta, o governo aposta no consumo popular como driver de crescimento, sinalizando continuidade dessa estratégia em 2027.

  3. Infraestrutura via capital privado: A compressão de investimentos discricionários e disputa por emendas acelera a necessidade de PPPs e concessões como única via para projetos estruturantes. Setores tradicionais precisarão se adaptar a modelos de financiamento mistos e maior participação privada.

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Tags: Bolsa Famíliaemendas parlamentaresLei Orçamentária AnualLOAsalário mínimo
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