Mesmo com juros ainda elevados, crédito restrito e inflação acima da meta, o mercado de tintas imobiliárias manteve trajetória de crescimento no primeiro semestre de 2025, com alta de 1,6% no volume de vendas em comparação com o mesmo período do ano anterior. O desempenho positivo, impulsionado por reformas domésticas e novos empreendimentos imobiliários, sucede um ano de resultados expressivos para o setor, que havia registrado uma expansão de 5,9% em 2024, consolidando um novo patamar de demanda no pós-pandemia.
Segundo Luiz Cornacchioni, presidente-executivo da Abrafati (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas), “As vendas de janeiro a junho deste ano demonstram a continuidade da tendência de maior cuidado da população com a casa, que a pandemia de Covid-19 impulsionou, e o bom momento da construção imobiliária. Isso nos permite manter uma expectativa moderadamente otimista para o segundo semestre de 2025”.
O crescimento, no entanto, não foi uniforme pelo país. A Região Sul liderou a expansão com um avanço de 6,3%, seguida pelo Nordeste (4,9%) e Centro-Oeste (2,2%).
Em contrapartida, o Sudeste, que concentra metade do mercado nacional, apresentou uma leve retração de 0,4%, enquanto a Região Norte registrou a maior queda, de 4,1%.
Consumidor
O varejo continua sendo o principal motor do setor de tintas, respondendo por mais de 70% do volume comercializado por meio de lojas especializadas, home centers e comércios de materiais de construção. A demanda é aquecida por um terço dos brasileiros que, segundo pesquisa de março de 2025, pretendem reformar seus imóveis este ano. A tinta lidera a lista de intenção de compra para quase 58% dos consumidores, com destaque para as classes D e E.
Paralelamente, o mercado é impulsionado pela construção de novos empreendimentos. A demanda se concentra tanto em programas habitacionais quanto no segmento de studios e imóveis compactos, com cerca de 30m², além de projetos de alto padrão que exigem acabamentos mais sofisticados.
Projeções para o segundo semestre
Apesar de um ambiente macroeconômico desafiador, o setor aposta na continuidade dos investimentos em melhorias residenciais e no movimento de finalização de empreendimentos imobiliários iniciados nos anos anterior (momento em que são pintados) para sustentar o crescimento. A projeção da Abrafati para o fechamento de 2025 é de uma alta entre 2,0% e 3,0%.
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