O Brasil pode estar prestes a ganhar um novo impulso estratégico na produção de Terras Raras, um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de ímãs superpotentes, ligas metálicas especiais e componentes de alta tecnologia usados em setores como trens-bala, turbinas eólicas, indústria aeroespacial e militar. Em entrevista ao programa Webinar da Indústria, Túlio Rivadávia Amaral, economista e CEO da Cabo Verde Mineração, revelou que a empresa fez uma descoberta inédita desses elementos associados ao minério de ferro na borda do Complexo Vulcânico de Poços de Caldas, em uma área que abrange os municípios de Cabo Verde, Muzambinho e Botelhos, no sul de Minas Gerais.
“Com a descoberta das Terras Raras estamos ampliando e detalhando nossa pesquisa regional e buscando parcerias estratégicas visando futuramente atender à crescente demanda global por estes elementos, cruciais para a transição energética e indústrias de alta tecnologia”, afirmou Túlio Amaral.
Apesar do nome, as Terras Raras não são tão raras assim, mas sua extração é complexa. A China domina o mercado mundial, detendo cerca de 40% das reservas conhecidas e respondendo por mais de 70% da produção global. O Brasil, por sua vez, possui uma das maiores reservas do mundo, estimada em 19%, mas sua produção ainda é incipiente, inferior a 0,1% do total global.
A diferença competitiva está na facilidade e no custo de extração. “Na China, a extração é mais difícil, exige mais energia e é mais custosa. Aqui no Brasil, na borda do Complexo Vulcânico de Poços de Caldas, os elementos estão mais liberados. O processo de extração aqui é mais barato, mais economicamente viável”, destacou Túlio Amaral.
Cabo Verde Mineração
A Cabo Verde Mineração já detém 57 direitos minerários que abrangem mais de 91 mil hectares em pesquisa e está investindo para expandir a exploração da área, que apresenta concentrações de até 3.942 ppm de Treo (terras raras expressas em óxido).
O impacto da descoberta vai além dos limites da empresa, envolvendo os municípios de Cabo Verde, Muzambinho, Botelhos e Caconde, com potencial para fortalecer a economia local e posicionar o Brasil como um player relevante no mercado global de Terras Raras, uma cadeia produtiva vital para a tecnologia do futuro e a economia verde.
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