A Index, maior evento da indústria baiana, abriu espaço nesta quinta-feira para um tema estratégico: o futuro do setor elétrico. No painel “Fronteiras Tecnológicas do Setor Elétrico: armazenamento, geração e demanda”, realizado no Palco Sicredi 360, especialistas discutiram os avanços e os gargalos que vão moldar os próximos anos. Energia solar, armazenamento e mercado livre estiveram no centro das conversas, apontando tanto oportunidades quanto desafios para a transição energética.
Um dos destaques do painel foi o case do Hospital Santo Antônio, das Obras Sociais Irmã Dulce, que instalou uma usina de energia solar no telhado da unidade. A iniciativa, custeada pelo Programa de Eficiência Energética da Neoenergia, gerou uma redução de 15% no consumo de energia elétrica, o que representa uma economia de cerca de R$1,2 milhão para as Obras Sociais. De acordo com Ana Maria Mascarenhas, da Neoenergia, o projeto foi financiado com recursos provenientes do consumidor, evidenciando o potencial do investimento em energia renovável para a sustentabilidade financeira de instituições.
Guilherme Brim, da HDT Huawei, falou sobre os avanços no armazenamento de energia por meio de sistemas de baterias. Segundo ele, a melhor forma de armazenar energia é na forma elétrica, aplicando conceitos como “peak saving” e deslocamento de carga fora do horário de pico, especialmente em processos industriais que demandam alta qualidade na energia ofertada.
Outro ponto abordado foi a transição energética e o Mercado Livre de Energia, apresentado por Maury Garret, da Engie. Ele destacou que a Bahia recebeu investimentos da ordem de R$ 15 bilhões nos últimos dez anos no setor elétrico e ressaltou o crescimento acelerado do armazenamento de energia. Garret também mencionou a criação do comércio eletrônico para compra de energia, uma novidade para o acesso e a negociação no mercado.
Mercado Livre de Energia
Danilo Peres, economista especialista em desenvolvimento industrial da Fieb, comentou sobre a Medida Provisória 1300, que prevê a abertura do Mercado Livre de Energia a partir de 2027, “permitindo que todos (residências ou indústrias) possam ser fornecedores de energia, um avanço que pode impulsionar a competitividade e a inovação”, disse.
Danilo também destacou a importância da eletrificação como estratégia crucial para o desenvolvimento industrial e mencionou os desafios relacionados aos cortes de energia, que ainda impactam a indústria. O painel na Index evidenciou o avanço das tecnologias e políticas públicas que estão trazendo ganhos para o setor elétrico na Bahia, mostrando que a combinação entre geração renovável, armazenamento eficiente e mercado aberto será fundamental para o futuro energético da indústria no estado.
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