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Capa Papel & Celulose
celulose

A fabricação de celulose, papel e produtos de papel registrou o maior aumento de produção no mês

Fábrica da Veracel opera 24hs por dia com energia própria e reaproveita quase todos os resíduos

Unidade produz 1,1 milhão de toneladas de celulose por ano

GERALDO BASTOS por GERALDO BASTOS
18/07/2025
em Papel & Celulose
Tempo de Leitura: 3 minutos
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No coração do Extremo Sul da Bahia, uma fábrica opera 24 horas por dia transformando madeira em celulose com um diferencial: ela mesma gera toda a energia de que precisa  e ainda compartilha o excedente com a rede elétrica nacional, o suficiente para abastecer até 350 mil pessoas. E mais: de cada tonelada de celulose produzida, menos de 700 gramas viram resíduo sólido. O restante, mais de 99%, é reaproveitado em processos próprios ou repassado para uso agrícola, como corretivo de solo.

Essa é a realidade da Veracel Celulose, cuja planta industrial, localizada em Eunápolis, é referência em eficiência energética e sustentabilidade. Desde o início das operações, em 2005, a unidade é autossuficiente em energia, utilizando fontes renováveis como biomassa e energia solar. O chamado “licor preto”, um subproduto do cozimento da madeira, junto com cascas, sobras do eucalipto, caroço de açaí e até bagaço de cana compõem a matriz energética limpa da empresa.

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“Uma fábrica como essa pode gerar até 50 quilos de resíduos por tonelada de celulose produzida. Nós geramos menos de 700 gramas. Mais de 99% dos nossos resíduos sólidos são reaproveitados”, afirma o diretor industrial Fabrício Stange, que assumiu o cargo há pouco mais de três meses, mas já acumula 25 anos de experiência no setor.

A Veracel também realiza, a cada 18 meses, uma parada geral de manutenção. Um momento estratégico para revisar, ajustar e garantir a longevidade dos equipamentos. A próxima está marcada para janeiro e deve durar cerca de 10 dias. “É quando realizamos inspeções e ajustes técnicos. Boa parte dos serviços contratados é feita junto a fornecedores da região, o que fortalece a economia local”, destaca Stange. Só na parada, são gerados aproximadamente 2.500 empregos temporários, movimentando setores como hotelaria, alimentação e comércio.

A jornada da madeira até virar celulose

Apesar da alta tecnologia, o protagonista da produção é, essencialmente, a árvore. “Quem produz a celulose é a árvore. Nosso principal papel é escolher o melhor clone de eucalipto que gere a fibra de forma mais eficiente”, explica o diretor.

A fábrica recebe as toras e as transforma em pequenos pedaços chamados cavacos. Esse material é submetido a um processo de cozimento que separa a celulose da lignina (substância que dá rigidez à madeira). A fibra de celulose, então, passa por um processo de branqueamento, secagem e enfardamento, antes de ser enviada aos clientes.

A planta baiana tem capacidade para produzir 1,1 milhão de toneladas de celulose por ano. O material é destinado, principalmente, para a produção de papéis e de tissue, usados no dia a dia em produtos como guardanapos, papel higiênico e lenços.

A celulose é o principal componente da parede celular das plantas. Constitui uma importante matéria-prima para as indústrias, que a extraem a partir de diversos vegetais. A principal fonte de celulose é o lenho das árvores de eucalipto e pinus, abundante na natureza. A substância é utilizada como matéria-prima em muitos produtos


  • Durante uma semana, o jornalista Geraldo Bastos, editor do IndústriaNews, percorreu mais de 1.600 quilômetros entre a Bahia e o Espírito Santo para conhecer de perto duas gigantes do setor florestal brasileiro: Veracel e Suzano. A viagem incluiu visitas às unidades industriais de Eunápolis e Mucuri, onde foi possível acompanhar o processo produtivo da celulose e do papel, além de entender como essas empresas têm investido em sustentabilidade, inovação e impacto social. O jornalista também conversou com os principais executivos das companhias, que compartilharam visões sobre o presente e o futuro do setor. Ao longo dos próximos dias, o IndústriaNews irá publicar uma série especial de reportagens revelando os bastidores dessa imersão no setor florestal, mostrando os impactos, os avanços e as contradições que movem uma das cadeias mais estratégicas da economia baiana.

  • O jornalista Geraldo Bastos visitou as unidades da Veracel e da Suzano, no Extremo Sul da Bahia,  a convite da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (Abaf)

Leia também: Tarifa de importação de 50% dos EUA atinge 10 mil exportadoras brasileiras

 

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Tags: BahiaceluloseEunápolisFabrício StangeVeracelVeracel Celulose
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GERALDO BASTOS

Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), tem mais de 30 anos de atuação na área de jornalismo econômico, com passagem pelos principais jornais de Salvador, como A TARDE e Correio. É editor do IndústriaNews e comanda os podcasts IndústriaCast e Webinar da Indústria. E-mail: gbastos@industrianews.com.br

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