A BYD anunciou oficialmente a data de inauguração da sua fábrica em Camaçari: 26 de junho. O comunicado foi feito pelo vice-presidente da empresa no Brasil, Alexandre Baldy, durante o lançamento do Song Plus, SUV de luxo da montadora, que ocorreu esta semana em São Paulo.
O empreendimento marca um passo importante da fabricante chinesa no país. Camaçari será sede do maior complexo industrial da BYD fora da Ásia, reforçando o protagonismo da Bahia na nova indústria automotiva.
A marca, que já conta com 180 concessionárias no Brasil, projeta alcançar 272 até o fim do ano — uma expansão agressiva para disputar espaço em um mercado ainda em adaptação à mobilidade elétrica.
MPT mira a BYD
E por falar na BYD… O Ministério Público do Trabalho acionou a BYD na Justiça após encontrar 220 trabalhadores chineses em situação análoga à escravidão em Camaçari. Os trabalhadores entraram no país de forma irregular.
Viviam amontoados em alojamentos precários, sob vigilância armada, com passaportes retidos, jornadas exaustivas e contratos recheados de cláusulas ilegais.
Para completar, havia risco grave de acidentes por descaso com normas de segurança.
O MPT pede R$257 milhões por danos morais coletivos da BYD e das empreiteiras envolvidas.
Uma cifra alta, mas talvez pequena diante do impacto na reputação de um grupo que se vende como símbolo de inovação e sustentabilidade.
Hub global da Magnesita
A RHI Magnesita quer colocar a Bahia no centro do mapa mundial da magnesita. A planta da empresa, em Brumado, onde está a principal reserva brasileira do mineral, vem ganhando destaque pela pureza do minério e pela logística eficiente.
Enquanto os maiores produtores seguem concentrados em regiões instáveis da Ásia e do Leste Europeu, a Bahia surge como alternativa segura e estratégica.
Só nos últimos anos, a unidade recebeu R$ 541 milhões em investimentos voltados à automação, eficiência e sustentabilidade.
O novo forno rotativo da planta é um marco tecnológico: flexível, moderno e capaz de produzir magnésias de alta performance.
Com os fornos verticais em Catiboaba, a capacidade total da operação ultrapassa 500 mil toneladas por ano. Com estrutura e qualidade, a Bahia se posiciona para assumir um novo protagonismo no setor mineral global.
Bahia patina, Ceará avança
A Bahia tem tudo para liderar a produção de hidrogênio verde no Brasil. Sozinha, responde por cerca de 30% da energia eólica e 20% da solar gerada no país – a base ideal para transformar eletricidade renovável em combustível limpo.
Mas, até agora, esse potencial segue estagnado.
Enquanto Ceará, Pernambuco e até o Piauí aceleram a captação de investimentos, a Bahia anda em marcha lenta.
A prometida planta da Unigel, em Camaçari, anunciada em 2022, ainda não saiu do papel. A empresa enfrenta dificuldades financeiras e, diante do cenário, a conclusão do projeto parece cada vez mais distante.
Do outro lado, o Complexo do Pecém, no Ceará, dá aula de articulação.
Acabou de fechar mais um pré-contrato, desta vez com a EDF Renewables, prevendo um aporte de R$5,6 bilhões.
É o sétimo acordo do tipo no porto cearense, que já atraiu gigantes como Fortescue, Casa dos Ventos e Voltalia.
Juntos, os compromissos somam US$24 bilhões, com promessa de dobrar o número de empregos na região.
A pergunta que fica é direta: com tanto recurso natural e infraestrutura instalada, por que a Bahia ainda não deslanchou?
Acelen reforça aposta em Mataripe
A Acelen confirmou um investimento de mais de R$340 milhões ainda em 2025 para paradas de manutenção na Refinaria de Mataripe.
O foco? Elevar a eficiência operacional e continuar a modernização da planta.
Desde a aquisição em 2021, a empresa já aplicou mais de R$3 bilhões no local, mirando maior produtividade, segurança e automação.
O objetivo é claro: transformar a refinaria em um ativo mais competitivo e confiável.
Tradição que movimenta bilhões
Mais do que uma festa popular, o São João é um verdadeiro motor da economia baiana.
Em 2025, o período junino deve, mais uma vez, impulsionar setores estratégicos, especialmente o comércio e o turismo.
De acordo com a Fecomércio BA, segmentos diretamente ligados à festa, como vestuário, calçados e supermercados, devem registrar um crescimento médio de 2% em relação ao ano anterior.
Isso representa um faturamento estimado de R$2 bilhões.
No turismo, o ritmo é ainda mais acelerado.
Com a chegada de visitantes às cidades do interior e a valorização das tradições regionais, a expectativa é de uma alta de 7,4% nas atividades turísticas, movimentando cerca de R$550 milhões.
Mais que uma celebração cultural, o São João baiano se consolida como um ativo econômico poderoso, capaz de gerar emprego, renda e visibilidade para os destinos do estado.
Uma festa que encanta, aquece e transforma.
Fecomércio reage ao aumento do IOF
A Fecomércio BA reagiu com preocupação ao anúncio do governo de aumento das alíquotas do IOF.
Para a entidade, a decisão encarece o custo de empreender, amplia a insegurança jurídica e mina a competitividade.
Com impacto estimado de R$19,5 bilhões, em 2025, e R$39 bilhões em 2026, o reajuste afeta diretamente operações de crédito, câmbio e seguros — com alta superior a 110% no IOF de empréstimos empresariais.
Qual o resultado disso?
Crédito produtivo mais caro e menor capacidade de investimento.
A Fecomércio alerta que medidas puramente arrecadatórias como essa comprometem empregos, travam investimentos e freiam o crescimento.
O IOF, lembra a entidade, é um instrumento regulatório e não uma ferramenta para elevar receita.
A saída?
Reforma do Estado, com corte de gastos e um sistema tributário mais eficiente, competitivo e juridicamente seguro.
Café ainda assusta
A prévia da inflação em maio trouxe um respiro para a Região Metropolitana de Salvador.
O IPCA-15 marcou 0,20%, terceiro mês seguido de desaceleração, e abaixo da média nacional (0,36%).
Entre as 11 regiões pesquisadas pelo IBGE, Salvador teve a segunda menor alta, só ficando atrás de Curitiba.
Um dado que merece atenção, principalmente num cenário em que o custo de vida continua pesando no bolso do consumidor.
Do lado bom da história, gasolina e passagens aéreas ficaram mais baratas, com quedas de 1,71% e 11,99%, respectivamente.
Alívio nos combustíveis e nas viagens, ainda que momentâneo.
Nos alimentos, o ritmo de aumento também perdeu força.
Mas nem tudo são flores: o café moído, paixão nacional, segue subindo firme — 4,57% só em maio.
A inflação desacelera, mas o café segue acelerado.
Abril histórico
O mercado de trabalho formal teve um abril histórico no Brasil. Foram mais de 257 mil novas vagas com carteira assinada, o melhor resultado para o mês desde o início da série do Novo Caged, em 2020.
E sabe a melhor?
A Bahia acompanhou essa tendência positiva.
O estado registrou 14.353 novos postos formais, número quatro vezes maior do que o observado em março e também superior ao de abril do ano passado.
Com esse desempenho, a Bahia ficou em sexto lugar no ranking nacional, atrás apenas de São Paulo, Minas, Rio de Janeiro, Paraná e Goiás.
O setor de serviços foi o principal motor do crescimento, respondendo por mais da metade das vagas abertas no estado (7.850).
Na sequência, vieram a indústria (2.712), a construção civil (2.304) e o comércio, incluindo a reparação de veículos e motocicletas (1.982).
No entanto, a agropecuária andou na contramão. O setor eliminou 495 postos de trabalho, sinalizando fragilidade em uma área estratégica para a economia baiana, especialmente no interior.
A coluna A SEMANA é publicada aos sábados. O espaço traz um resumo das notícias mais importantes da semana, sempre com um tom mais crítico e analítico. Além da indústria, aborda temas como o comércio, turismo, agro, tecnologia, política, educação, dentre outros. O objetivo é contribuir para formar opinião, esclarecer fatos, desmentir outros, e deixar você ainda mais informado.
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