A indústria de lácteos Alvoar deve iniciar suas operações em Alagoas no próximo mês, fortalecendo o movimento de expansão da cadeia leiteira no Nordeste e ampliando a capacidade de processamento de leite da região. Instalada no município de Batalha, no coração da bacia leiteira alagoana, a unidade recebeu investimentos de aproximadamente R$60 milhões em reforma, modernização e adequação industrial.
A nova planta começará produzindo leite em pó em capacidade máxima e, em uma segunda etapa, passará a fabricar queijos. A expectativa é que a operação gere inicialmente cerca de 120 empregos diretos, número que poderá chegar a 180 postos de trabalho com a ampliação do portfólio.
Segundo o presidente do Grupo Alvoar, Bruno Girão, a unidade entra em funcionamento já em julho com foco na produção local. “Iniciaremos a operação com a capacidade máxima de produção de leite em pó. Em uma segunda etapa, passaremos a produzir queijo. Inicialmente, esses serão os dois produtos fabricados na planta de Alagoas”, afirmou.
A fábrica terá capacidade para processar até 400 mil litros de leite por dia, ampliando significativamente a demanda pela produção regional. O projeto integra uma nova fase de investimentos no setor lácteo alagoano, que também inclui a chegada de novos players e a ampliação da capacidade industrial instalada no estado.
Para Bruno Girão, a escolha por Alagoas está diretamente ligada ao potencial produtivo da região. “A bacia leiteira alagoana responde por cerca de 10% da produção de leite do Nordeste. É uma região estratégica para o crescimento da atividade e para o fortalecimento da indústria”, destacou.

Sealba
A expansão da atividade leiteira tem sido impulsionada também pelo avanço da fronteira agrícola conhecida como Sealba, que engloba áreas de Sergipe, Alagoas e Bahia. A produção crescente de milho na região tem permitido a modernização das propriedades rurais e a adoção de sistemas mais eficientes de confinamento do rebanho leiteiro.
“O desenvolvimento da Sealba criou condições para aumentar a produtividade das fazendas e garantir uma oferta mais consistente de matéria-prima para a indústria”, observou Girão.
Os números do mercado reforçam esse cenário. Dados do IBGE mostram que o Nordeste registrou o maior crescimento percentual do país na captação formal de leite nos últimos anos, com expansão de 14,6%, acima da média nacional de 8,5%.
A Alvoar é resultado da fusão entre os laticínios Betânia, do Ceará, e Embaré, de Minas Gerais. Detentora também da marca Camponesa, a companhia possui faturamento anual de R$5,2 bilhões e operações industriais em diferentes estados do Nordeste e Sudeste.

Indústria láctea alagoana
A entrada em operação da unidade de Batalha ocorre em um momento de renovação da indústria láctea alagoana. Recentemente, a Piracanjuba anunciou a aquisição de um laticínio em Monteirópolis para ampliar sua presença no Nordeste, reforçando a percepção do mercado sobre o potencial da cadeia produtiva regional.
Durante visita à fábrica, o governador de Alagoas, Paulo Dantas, destacou os impactos econômicos esperados para a região. Segundo ele, a combinação dos investimentos da Alvoar, da Natville e da Piracanjuba poderá elevar significativamente a demanda por leite produzido no estado.
“Estamos falando de uma capacidade de aquisição de aproximadamente 1 milhão de litros de leite por dia pelas três indústrias. Isso representa mais oportunidades para os produtores, mais investimentos nas propriedades rurais e um forte estímulo à geração de emprego e renda na bacia leiteira”, afirmou.
O governador também ressaltou que a ampliação da capacidade industrial tende a incentivar ganhos de produtividade, modernização tecnológica e melhoria da remuneração dos produtores rurais, fortalecendo uma das principais atividades econômicas do interior alagoano.
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