Há exatamente meio século, uma invenção mudou silenciosamente o destino das turbomáquinas industriais. Em 1976, a John Crane lançou o selo de gás seco ou Dry Gas Seal – um componente que, ao criar uma película de gás ultrafina entre as faces de vedação, eliminou o contato físico direto e com isso reduziu drasticamente o desgaste dos equipamentos rotativos. Cinquenta anos depois, essa tecnologia é padrão global em compressores centrífugos e está no coração das plataformas de petróleo que operam nos mares brasileiros.
O aniversário tecnológico coincide com um momento de expansão dos negócios da empresa, que faz parte do grupo britânico Smiths Group plc, no país. Em abril de 2024, a John Crane inaugurou em Rio Claro (SP) um centro de serviços de 1.700 metros quadrados dedicado à recuperação e teste de selos mecânicos, o maior investimento recente da companhia no Brasil.
A instalação opera com energia solar e conta com bancadas dinâmicas capazes de rodar acima de 30 mil RPM a 450 bar de pressão, permitindo simular com precisão as condições reais de campo antes de devolver o equipamento ao cliente.
“Não é simplesmente um reparo. A gente trabalha junto com o cliente para identificar qualquer anomalia, olhar o modo de falha, o que ocorreu, e propor melhorias. O cliente tem a possibilidade de vir acompanhar os testes dentro das nossas instalações”, explicou Rogério Quirino, gerente regional da John Crane no Brasil, em entrevista ao Indústria News. A capacidade instalada chega a 200 selos testados por ciclo, e o centro atende não apenas o Brasil, mas também países da América Latina.

Petrobras, Brava e o boom do upstream
Com o Brasil produzindo quase 4 milhões de barris de petróleo por dia e mais de US$100 bilhões em investimentos previstos no upstream nos próximos cinco anos, a demanda por confiabilidade operacional nunca foi tão alta. É nesse contexto que os selos DGS – presentes nas turbomáquinas das plataformas offshore – ganham ainda mais relevância. Petrobras, Transpetro e Brava estão entre os clientes da John Crane no país.
“Os operadores demandam que os equipamentos operem continuamente pelo maior tempo possível, de forma confiável. A John Crane contribui bastante para que esses equipamentos tenham uma operação da melhor forma possível em campo”, afirmou o gerente regional. Além do segmento de óleo e gás, a empresa atua também em petroquímica e indústrias de processo, o que inclui clientes no Polo Industrial de Camaçari, na Bahia.
Digitalização e IA no monitoramento preditivo
Além dos produtos físicos, a John Crane investe em uma plataforma digital chamada Sense, que instala sensores diretamente nos selos mecânicos para transmitir dados em tempo real para a nuvem. Com o uso de inteligência artificial, o sistema é capaz de identificar padrões anômalos e antecipar falhas antes que elas ocorram, transformando a manutenção reativa em manutenção preditiva.
“A IA está presente nessas análises com uma presença bem forte no processamento do big data que a gente recebe. Antes do problema acontecer, a gente já consegue ter uma avaliação de que aquele ativo está tendo alguma anomalia em campo”, disse Quirino. A plataforma faz parte de um pacote mais amplo de serviços chamado Performance Plus, voltado ao gerenciamento integral do ciclo de vida dos ativos industriais.
Liderança global, presença local

Com cerca de 6 mil funcionários, mais de 200 instalações e atuação em mais de 50 países, a John Crane é líder de mercado global no segmento de selos mecânicos – posição que, segundo Rogério Quirino, se replica no Brasil. A empresa mantém escritórios em São Paulo e filiais no Rio de Janeiro e na Bahia, além de atender clientes na Argentina, Colômbia, Chile e Venezuela.
Por ora, os números animam: meio século após inventar o selo que mantém as turbomáquinas girando, a John Crane segue apostando no Brasil como um de seus mercados estratégicos.
Os selos mecânicos são componentes essenciais utilizados para evitar vazamentos entre um eixo rotativo e partes estacionárias em equipamentos como bombas, compressores e agitadores. Ao criar uma vedação segura, desempenham um papel vital em indústrias como a de petróleo e gás, processamento químico, tratamento de água potável e farmacêutica, onde confiabilidade, eficiência e proteção ambiental são fundamentais
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