A Petrobras começou 2026 pisando fundo. No primeiro trimestre, a estatal registrou produção média recorde de 3,23 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) – alta de 3,7% frente ao trimestre anterior e de 16,1% na comparação anual. O desempenho tem endereço certo: o pré-sal. A entrada e o avanço operacional de plataformas como P-78 (Búzios) e Alexandre de Gusmão (Mero), além das unidades Anna Nery e Anita Garibaldi, garantiram o ritmo. A companhia também colocou em operação 10 novos poços, reforçando a capacidade produtiva.
Mais do que crescer, a Petrobras produziu melhor. A redução de paradas para manutenção e o ganho de eficiência sustentaram um trimestre de maior estabilidade operacional, algo que vem se consolidando nos últimos períodos.
Pré-sal dita o ritmo e quebra recordes
Os campos de Búzios e Mero seguem como motores da produção. Búzios superou 1 milhão de barris/dia em um único dia, enquanto Mero ultrapassou 700 mil barris/dia. A nova plataforma P-78 também marcou um recorde interno: iniciou a injeção de gás apenas 61 dias após o início da produção, acelerando o aumento de output.
Outro destaque foi a P-79, cuja ancoragem foi concluída em apenas 12 dias, reduzindo prazos e elevando a eficiência dos projetos.
Refino em alta e importações em queda
No downstream, o avanço também foi consistente. A produção de derivados cresceu 6,7%, chegando a 1,816 milhão de barris por dia. O aumento da produção teve efeito direto no mercado: mais vendas e menos importações, especialmente de GLP, que atingiu o menor nível da série recente.
O parque de refino operou com alta carga:
- Fator de utilização (FUT): 95% no trimestre
- Pico de 97,4% em março, o maior desde 2014
A estratégia de maximizar derivados mais valiosos também apareceu nos números: diesel, QAV e gasolina responderam por 68% da produção.
Mercado interno reage e exportações avançam
As vendas no mercado interno cresceram 2,9% na comparação anual, refletindo maior competitividade e leve retomada da atividade econômica.
O querosene de aviação (QAV) acompanhou o movimento, com alta de até 9,6% no ano. Já as exportações de óleo combustível atingiram o melhor resultado desde 2022.
Logística e eficiência sustentam desempenho
A engrenagem logística também rodou forte. A Petrobras bateu recordes de movimentação de combustíveis em dutos e terminais, garantindo o escoamento da produção crescente.
Ao mesmo tempo, a companhia avança em parcerias estratégicas, como o contrato com a Vale para fornecimento de diesel com conteúdo renovável, ampliando a agenda de descarbonização.
BOX 1 — Produção: raio-X do trimestre
Produção própria: 3,23 milhões boed (recorde)
Produção operada total: 4,65 milhões boed
Produção no pré-sal (própria): 2,66 milhões boed
Produção no pré-sal (operada): 4,01 milhões boed
Novos poços: 10 (7 na Bacia de Campos e 3 na de Santos)
BOX 2 — Refino e derivados
Produção de derivados: 1,816 milhão bpd
Alta trimestral: +6,7%
FUT médio: 95%
Pico em março: 97,4%
Diesel S10 (recorde mensal): 512 mil bpd
Participação de diesel, QAV e gasolina: 68%
BOX 3 — Mercado e vendas
Vendas no mercado interno: +2,9% (ano)
QAV: 126 mil bpd (+9,6% anual)
Exportação de óleo combustível: 187 mil bpd
Importação de GLP: 26 mil bpd (mínima)
BOX 4 — Logística em destaque
GLP escoado no RJ: 75,8 mil toneladas
OSBRA (diesel + gasolina): 756 mil m³
Terminal de Santos: 879 mil m³
Óleo combustível escoado: 402 mil m³
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