A indústria baiana até ensaiou reação em fevereiro, mas o fôlego ainda é curto. Segundo dados da IBGE, a produção avançou 3,2% frente a janeiro, no segundo resultado positivo seguido, embora já em ritmo menor que o registrado no início do ano. O desempenho mensal colocou a Bahia acima da média nacional (0,9%) e entre os destaques do país. Mas o retrato muda – e muito – quando a comparação é anual. Na leitura mais relevante, fevereiro de 2026 contra fevereiro de 2025, a indústria do estado recuou 4,1%. É o terceiro resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação, indicando perda de tração consistente.
No acumulado do ano, a queda chega a 7,5%, um dos piores desempenhos do Brasil. Em 12 meses, o setor segue no vermelho (-1,3%), enquanto o país como um todo ainda sustenta leve alta.
Refino pesa
O principal freio vem de um velho conhecido: o refino de petróleo. A fabricação de derivados recuou 9,5% e teve o maior impacto negativo no resultado geral, refletindo o peso do segmento na estrutura industrial baiana. Outro destaque negativo foi o tombo de 44,9% na fabricação de máquinas e equipamentos elétricos, num sinal claro de fraqueza em segmentos mais ligados ao investimento produtivo.
Nem tudo, porém, foi queda. A indústria de alimentos cresceu 10,9% (sexto avanço seguido), e o setor de papel e celulose voltou ao campo positivo. A indústria extrativa também reagiu, com alta de 16,1%. Mas, no agregado, não foi suficiente para evitar o recuo.
Análise: Crescimento no curto prazo esconde fragilidade estrutural
O dado de fevereiro deixa uma mensagem direta: a indústria baiana até reage no curto prazo, mas segue perdendo força no tempo. Primeiro, o contraste entre o crescimento mensal e a queda anual mostra um setor instável. Avanços pontuais não estão se convertendo em tendência consistente.
Segundo, a forte dependência do refino de petróleo continua sendo um risco estrutural. Quando o setor oscila, toda a indústria sente – e os números deixam isso evidente.
Terceiro, a queda acentuada em bens de capital, como máquinas e equipamentos, indica algo mais preocupante: retração de investimentos. E sem investimento, não há crescimento sustentável.
Quarto, apesar de bons sinais em alimentos e celulose, a diversificação ainda é limitada. Esses segmentos ajudam, mas não compensam o peso das quedas em áreas estratégicas.
Por fim, o desempenho abaixo da média nacional reforça um alerta incômodo: a Bahia está ficando para trás no ritmo industrial do país. No fim das contas, fevereiro mostra mais do que um número negativo – revela um desafio estrutural. A indústria baiana precisa crescer com menos dependência, mais equilíbrio e, principalmente, mais consistência.

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