A JBS anunciou neste domingo (8) a criação de uma joint venture com a Oman Food Investment Holding Company (OFC), braço de investimentos em alimentos e agronegócio da Oman Investment Authority (OIA), em um movimento que vai além da expansão industrial e reforça sua estratégia de posicionamento global no mercado de proteínas halal. A companhia brasileira fará um aporte de US$150 milhões e deterá 80% da nova operação, enquanto a OFC permanecerá com os 20% restantes.
A joint venture será estruturada por meio de uma sociedade com sede na Holanda, que controlará integralmente os ativos operados em Omã pelas empresas A’Namaa Poultry e Al Bashayer Meat Company.
Mais do que ampliar capacidade produtiva, o projeto coloca Omã no centro de uma estratégia regional de segurança alimentar e exportação. Alinhada à Vision 2040, política de desenvolvimento de longo prazo do Sultanato, a iniciativa busca reduzir a dependência externa de alimentos e transformar o país em uma plataforma de produção e distribuição de proteínas halal para o Oriente Médio, Ásia e África.
Os recursos serão direcionados à finalização de duas plantas consideradas estratégicas: a unidade integrada de frango da A’Namaa, em Ibri, no norte do país, e a planta de processamento de carnes bovina e ovina da Al Bashayer, em Thumrait, no sul de Omã. A localização das unidades reforça a vocação logística do projeto, com acesso facilitado a portos e rotas comerciais relevantes da região.
Produção
Com a conclusão dos investimentos, a joint venture deverá alcançar capacidade industrial estática de aproximadamente 300 mil toneladas por ano. Em termos operacionais, isso equivale ao processamento diário de cerca de 1.000 cabeças de gado, 5.000 cordeiros e 600 mil frangos. A produção de carnes bovina e ovina está prevista para começar em até seis meses, enquanto a operação de aves deve entrar em funcionamento em até 12 meses.
Para a JBS, a operação amplia a presença em um mercado estratégico, marcado pelo crescimento da demanda por alimentos certificados halal e pela busca dos países do Golfo por maior autossuficiência alimentar. Ao se associar a um fundo soberano local, a companhia reduz riscos regulatórios, fortalece relações institucionais e ganha escala em uma região-chave para o comércio global de proteínas.
Além do impacto geopolítico e comercial, o projeto deverá gerar mais de 3.000 empregos diretos nos próximos cinco anos, contribuindo para o desenvolvimento econômico de Omã, a qualificação da mão de obra local e o fortalecimento da cadeia agroalimentar do país.
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