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Capa Atualidades
Indústria da Bahia

Por que a indústria baiana perdeu força? Entenda os fatores por trás da queda de 7,1% na produção

Estado teve o segundo pior desempenho do país na comparação com maio do ano passado. Refino de petróleo e celulose puxaram a retração, enquanto alimentos seguiram em expansão e amenizaram as perdas

GERALDO BASTOS por GERALDO BASTOS
10/07/2026
em Atualidades
Tempo de Leitura: 4 minutos
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A  indústria baiana voltou a perder ritmo em maio e registrou um dos resultados mais fracos entre os estados brasileiros. Na comparação com o mesmo mês de 2025, a produção industrial caiu 7,1%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o segundo pior desempenho do país, atrás apenas do Maranhão (-12,4%), enquanto a média nacional apresentou leve crescimento de 0,2%.

O resultado interrompe a recuperação observada em abril, quando a produção havia avançado 0,9% na comparação anual. Entre os 18 estados pesquisados pelo IBGE, apenas cinco registraram crescimento em maio, liderados por Espírito Santo (10,8%), Rio de Janeiro (7,4%) e Goiás (3,9%).

Na comparação com abril deste ano, já descontados os efeitos sazonais, a retração foi ainda mais intensa. A produção industrial baiana caiu 8,9%, a maior entre os 15 estados analisados nessa base de comparação. O recuo encerra uma sequência de quatro meses consecutivos de crescimento registrada entre janeiro e abril.

Setores

O principal impacto negativo veio da indústria de transformação, cuja produção diminuiu 7,6% frente a maio do ano passado. A indústria extrativa, por outro lado, manteve trajetória de crescimento, com alta de 2,7%.

Entre os segmentos industriais, o refino de petróleo voltou a pesar sobre o desempenho da Bahia. A fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis recuou 15,4% em maio. Embora tenha registrado apenas a quarta maior queda percentual entre os setores pesquisados, o segmento exerceu a maior influência negativa sobre o resultado geral por representar a principal atividade da estrutura industrial do estado.

Outro setor de grande relevância, papel e celulose, apresentou retração de 19,3%, acumulando o segundo mês consecutivo de queda. Já a indústria de couros, artigos para viagem e calçados registrou a maior redução percentual, de 22,3%, completando 16 meses seguidos de retração.

Nem todos os indicadores, porém, foram negativos. A fabricação de alimentos avançou 9% em maio e completou nove meses consecutivos de crescimento. O setor foi o principal responsável por reduzir o impacto das perdas registradas nos demais segmentos. Também apresentaram resultados positivos as indústrias de produtos de borracha e plástico (4,6%) e de minerais não metálicos (4,1%).

No acumulado de janeiro a maio, a produção industrial baiana registra queda de 5,1%, enquanto a média nacional aponta crescimento de 1,4%. O desempenho coloca a Bahia entre os três estados com pior resultado no período, à frente apenas do Rio Grande do Norte (-15,5%) e do Maranhão (-6,2%).

Nos últimos 12 meses encerrados em maio, a produção industrial do estado acumula retração de 2,1%, enquanto a indústria brasileira registra crescimento de 0,4%.

ANÁLISE INDÚSTRIA NEWS

Os números divulgados pelo IBGE mostram que a perda de ritmo da indústria baiana não pode ser explicada por um único fator conjuntural. O principal sinal de alerta está na composição da queda.

Os dois segmentos que mais influenciaram negativamente o resultado – derivados de petróleo e papel e celulose – estão entre as atividades de maior peso na estrutura industrial do estado. Quando esses setores reduzem a produção, os efeitos se espalham por toda a cadeia, atingindo logística, fornecedores, exportações e arrecadação.

Outro aspecto importante é a diferença em relação ao desempenho nacional. Enquanto a indústria brasileira praticamente manteve estabilidade em maio e segue acumulando crescimento no ano, a Bahia apresenta retração tanto no mês quanto no acumulado de 2026. Esse descolamento indica que o desafio do estado vai além das oscilações da economia brasileira e está ligado ao comportamento de segmentos estratégicos da sua base industrial.

Há, no entanto, um contraponto relevante. A indústria de alimentos mantém uma trajetória consistente de expansão, acumulando nove meses consecutivos de crescimento. O desempenho mostra que parte da indústria baiana continua encontrando espaço para crescer, sustentada principalmente pelo mercado consumidor e pelo agronegócio.

Para os próximos meses, a atenção estará concentrada na recuperação das cadeias ligadas ao refino, à petroquímica e à celulose. Pela representatividade que possuem na economia estadual, a retomada desses segmentos será determinante para que a produção industrial volte a acompanhar o desempenho observado no restante do país.

O QUE FICA DESSA HISTÓRIA

A queda da produção industrial em maio vai além de um resultado mensal negativo. Ela mostra que os principais motores da indústria baiana perderam força justamente em um momento em que a indústria nacional mantém crescimento. Mais do que acompanhar o índice geral, será fundamental observar se setores estratégicos, como refino de petróleo e celulose, conseguirão recuperar o ritmo nos próximos meses. É dessa reação que dependerá boa parte do desempenho industrial da Bahia em 2026.


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