A brasileira Taurus Armas deu mais um passo em sua estratégia de internacionalização ao formalizar uma proposta para aquisição do controle da Mertsav Savunma, especializada em sistemas de armas de médio calibre. O movimento ainda está em fase preliminar. A proposta é não vinculante, o que significa que não há obrigação de conclusão do negócio, nem definição final sobre preço ou estrutura da operação. A transação depende de etapas como auditoria, negociação de contratos e aprovações regulatórias.
A possível aquisição reforça a estratégia da companhia brasileira de expandir sua atuação no segmento de defesa, com foco em soluções voltadas às Forças Armadas e ampliação do portfólio para armamentos de maior calibre – um mercado onde a empresa ainda busca ganhar escala.
O interesse não é por acaso. O mercado global de armamentos de médio e grande calibre movimentou cerca de US$45,8 bilhões em 2025 e pode alcançar US$74 bilhões até 2032, impulsionado pelo aumento dos investimentos militares e programas de modernização em diferentes países.
A Taurus Armas já vinha sinalizando esse movimento desde 2025, quando firmou memorandos de entendimento relacionados à Mertsav. Agora, ao avançar para uma proposta formal, a empresa indica que vê na operação uma oportunidade concreta de reposicionamento internacional.
“A potencial transação está alinhada à estratégia da companhia de expansão e diversificação de seu portfólio no segmento de defesa, com foco no desenvolvimento e oferta de soluções para as Forças Armadas no mercado internacional, especialmente em sistemas de maior calibre, até .50”, disse Sergio Castilho Sgrillo Filho, dietor de Relações com Investidores da Taurus, em fato relevante divulgado na manhã desta quinta-feira (2/4).
A Mertsav
Com sede na Turquia, a Mertsav vem atuando continuamente na indústria de defesa desde 2006. Hoje, a empresa, com mais de 200 funcionários e equipamentos de produção e controle de qualidade de última geração, conta com três unidades fabris localizadas em Istambul e Kırıkkale.
A empresa oferece uma ampla gama de produtos, incluindo metralhadoras automáticas, metralhadoras leves, fuzis de infantaria, lançadores de granadas acoplados a fuzis, lançadores de granadas de múltiplos disparos, equipamentos de desativação de bombas, fuzis a gás e pistolas de sinalização para diversas instituições, tanto nacionais quanto internacionais.
Análise: Expansão global e mudança de patamar
A negociação vai além de uma simples aquisição – ela revela uma mudança de ambição da Taurus. Historicamente concentrada em armas leves, a empresa busca agora entrar em um segmento mais sofisticado e estratégico, com maior valor agregado e forte demanda global. Isso significa competir em um mercado mais complexo, com barreiras tecnológicas, regulatórias e geopolíticas mais elevadas.
A escolha da Turquia também não é trivial. O país se consolidou como um hub relevante da indústria de defesa, com forte integração internacional e capacidade tecnológica crescente. Entrar por meio de uma empresa local pode acelerar esse processo.
Por outro lado, o movimento carrega riscos. Operações internacionais nesse setor exigem alto nível de governança, além de estarem sujeitas a pressões políticas e restrições regulatórias. Sem contar que se trata de um negócio ainda incerto — a proposta não vinculante deixa claro que o desfecho está longe de garantido.
Se avançar, no entanto, a aquisição pode reposicionar a Taurus em um novo patamar competitivo. Mais do que crescer, a empresa tenta mudar de liga.
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