O mapa da indústria de embalagens no Brasil sofreu uma alteração estratégica nesta segunda-feira (23/02). A unidade fabril de Riachão do Jacuípe (BA), que iniciou suas atividades em setembro de 2025 sob a bandeira da Tech Bag Brasil, passou a operar oficialmente como Embrasa Nordeste. O movimento consolida uma das transações mais ágeis do setor nos últimos anos: a aquisição da planta pela Embrasa, gigante com 53 anos de história, apenas dois meses após o corte da fita inaugural.
A operação é um movimento de xadrez logístico e comercial. Ao absorver a unidade baiana, a Embrasa – maior produtora de sacaria soldada da América Latina – estabelece um hub estratégico para atender com agilidade as regiões Nordeste e Norte. A planta possui capacidade instalada para produzir 3,24 milhões de unidades/ano de big bags especiais de polipropileno (ráfia), atendendo setores robustos como farinha, farelo, fertilizantes, açúcar, sementes, ração, minério e cimento.
Engenharia de negócio e expansão
A transação não se limitou à compra de ativos. O fundador da Tech Bag, Leandro Miranda, passou a integrar o quadro societário do Grupo Embrasa, aportando expertise em produtos especiais e inovação.
“A incorporação representa um passo fundamental para nos consolidarmos como a maior e melhor empresa de sacarias e big bags da América Latina. Esta aquisição nos traz flexibilidade e amplia nossa expertise em bags especiais”, afirma Marcelo Vivolo, CEO da Embrasa.
Para Leandro Miranda, a sinergia foi o fator determinante para a velocidade do negócio. “É uma honra unir forças com uma empresa de 53 anos de história. Junto à Embrasa, poderemos acelerar significativamente nosso crescimento e concretizar todos os planos que traçamos para esta unidade”, destaca o agora sócio do grupo.
Impacto regional e governança
A unidade de Riachão do Jacuípe é fruto de uma parceria com o Governo do Estado da Bahia, via Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE). Se na inauguração a planta gerava 150 empregos diretos, os planos da Embrasa são ainda mais agressivos. O projeto prevê novas fases de investimento, com a meta de superar os mil postos de trabalho, estimulando a economia local em um momento de retração de outros players do setor.
Além da produção, o planejamento inclui a instalação de uma unidade de recuperação de resíduos plásticos, reforçando o pilar de sustentabilidade e autossuficiência do grupo, que já produz internamente seus próprios tecidos, alças e filmes.
Por que o Nordeste?
A migração de setores como minério e cimento para embalagens de ráfia (que hoje já detêm 20,1% desse mercado, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Fibras Poliolefínicas) explica o apetite da Embrasa. Com unidades em São Paulo, Goiás e Rio Grande do Sul, a “perna” nordestina era o que faltava para o fechamento do cerco logístico nacional.
A rapidez da integração – da inauguração em setembro à operação plena como Embrasa Nordeste em fevereiro – sinaliza uma gestão de alta performance e um mercado regional com demanda reprimida por soluções customizadas de alto padrão técnico.
Ficha Técnica da Unidade (Embrasa Nordeste):
- Localização: Riachão do Jacuípe (BA)
- Capacidade: 3,24 milhões de unidades/ano.
- Foco: Big Bags especiais para agronegócio e mineração.
- Perspectiva de empregos: Até 1.000 vagas nas próximas fases.
- Diferencial: Autossuficiência em insumos e gestão hoteleira de resíduos
Grupo Embrasa em números
Com mais de meio século de trajetória, a Embrasa consolidou-se como um dos principais players da indústria de embalagens na América Latina. A chegada à Bahia marca a quinta unidade fabril do grupo, que se destaca pela verticalização da produção.
- Fundação: 1973 (53 anos de mercado)
- Liderança: Maior produtora de sacaria soldada da América Latina
- Presença nacional: Unidades em Sumaré (SP), Artur Nogueira (SP), Catalão (GO), Taquara (RS) e agora Riachão do Jacuípe (BA)
- Força de Trabalho: Mais de 2.200 colaboradores diretos em todo o Brasil.
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