Aos 90 anos, a Votorantim Cimentos acelera sua estratégia de crescimento e descarbonização com um plano robusto de R$5 bilhões em investimentos no Brasil até 2028. Desse total, cerca de R$ 2,4 bilhões já estavam executados ou em andamento no terceiro trimestre de 2025 – um ritmo que revela foco em competitividade num mercado pressionado por custos logísticos, energia e demanda cíclica da construção civil.
Um dos movimentos mais relevantes está na frente energética. A companhia firmou contrato de compra de energia (PPA) com a Auren Energia, garantindo fornecimento renovável para unidades no Nordeste e Sudeste. A energia virá do complexo eólico Cajuína I, em Lajes (RN), onde a Votorantim passará a ser sócia de uma parcela do ativo. A expectativa é que, a partir de março, mais de 90% da energia consumida pela empresa no Brasil seja proveniente de fontes renováveis – um salto importante na agenda de descarbonização de um setor intensivo em emissões.
A estratégia combina sustentabilidade com expansão de capacidade. Em Edealina (GO), a empresa implantará uma nova fábrica de argamassas, com capacidade anual de 300 mil toneladas, prevista para 2027. No mesmo município, a ampliação da moagem de cimento dobrará a capacidade da unidade para 2 milhões de toneladas por ano, com início de operação estimado para abril de 2026.
Outros investimentos incluem a modernização do forno em Xambioá (TO), a retomada de moinhos em Esteio (RS) e Laranjeiras (SE), além de ganhos logísticos no Sul. Somadas às ampliações em Nobres (MT), que elevará a produção de cimento para 1,2 milhão de toneladas/ano e de calcário agrícola para 900 mil toneladas/ano, e à expansão já concluída em Salto de Pirapora (SP), as iniciativas adicionam 3,7 milhões de toneladas/ano à capacidade operacional no país.

Peso da companhia
Os números reforçam o peso da companhia: 35,4 milhões de toneladas de cimento vendidas, R$ 26,6 bilhões de receita líquida e 13.371 empregos diretos.
Na Bahia, a presença é estratégica. A empresa mantém fábrica em Camaçari e centros de distribuição em Itabuna, Feira de Santana e Camaçari, além de participação na Usina Hidrelétrica de Pedra do Cavalo, com 160 MW de capacidade instalada – energia suficiente para cerca de 280 mil residências. O ativo reforça a segurança energética e a matriz renovável do grupo no estado.
Fundada em 18 de janeiro de 1936, em Votorantim (SP), quando o forno da fábrica Santa Helena produziu as primeiras 250 toneladas diárias do Cimento Votoran, a empresa nasceu num mercado dominado por estrangeiras. Nove décadas depois, consolida-se como protagonista nacional em materiais de construção, ampliando capilaridade e eficiência num setor-chave para o crescimento econômico brasileiro.
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