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Capa Atualidades

O superávit que não empolga

Desaceleração global e concentração em commodities tornam incerto o cenário do comércio exterior baiano

INDÚSTRIA NEWS por INDÚSTRIA NEWS
08/01/2026
em Atualidades
Tempo de Leitura: 3 minutos
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Porto exportações

As importações alcançaram US$ 9,31 bilhões em 2025 com queda de 12,8% (Foto: Jean Vagner/Ascom SEI)

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A  balança comercial da Bahia fechou 2025 no azul, mas com sinais claros de enfraquecimento. As exportações somaram US$11,52 bilhões, queda de 3,2% frente a 2024, enquanto as importações recuaram 12,8%, para US$ 9,31 bilhões. O superávit de US$2,21 bilhões reflete menos força do comércio exterior e mais retração da atividade – dentro e fora do estado. As informações foram analisadas pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria de Planejamento (Seplan).

O principal problema não foi volume, mas preço. Os valores médios dos produtos exportados caíram 5,4%, pressionados pela desaceleração global, pela queda das commodities e pelo ambiente de incerteza provocado pela política comercial dos Estados Unidos e pela guerra comercial com a China. Mesmo com alta de 2,3% no volume embarcado no ano, especialmente no último trimestre, a perda de preços falou mais alto.

A pauta segue concentrada e vulnerável. A indústria de transformação respondeu por US$6,8 bilhões em exportações, mas registrou queda de 6% em valor, afetada por derivados de petróleo, químicos, papel e celulose e metalurgia. Já o agro sustentou parte do desempenho: soja, algodão, cacau e café bateram recordes de volume e, em alguns casos, de receita. Ainda assim, a soja ilustra o dilema baiano –  embarcou mais, faturou menos, penalizada por uma queda média de 8,7% nos preços.

A China manteve a liderança como principal destino, com 28,4% das exportações, mas também sentiu o efeito da desvalorização dos preços. Os EUA, por sua vez, perderam espaço: as vendas caíram 7,1%, impactadas diretamente pelo tarifaço que atingiu produtos relevantes da pauta estadual.

Importações

Do lado das importações, a queda foi puxada quase exclusivamente pela retração nas compras de combustíveis (-41,7%), reflexo de preços menores e ajustes na demanda. Em contraste, chamam atenção dois movimentos opostos: o forte crescimento das importações de bens de capital (+60%), sinalizando investimentos de médio e longo prazo, e a explosão das compras de bens de consumo (+175%), especialmente veículos e itens alimentares – um alerta para a indústria local.

Para 2026, o cenário segue desafiador. A recuperação das exportações dependerá menos de volume e mais de preços, além de uma eventual normalização do ambiente geopolítico. Sem diversificação da pauta e maior valor agregado, a Bahia continuará refém do humor das commodities e das decisões tomadas fora do estado. O saldo pode até continuar positivo, mas isso, isoladamente, diz cada vez menos sobre dinamismo econômico.

Para ficar atento

  • Superávit com sinal trocado: a Bahia fechou 2025 com saldo positivo de US$ 2,21 bilhões, mas o resultado reflete mais a forte queda das importações (-12,8%) do que ganho de competitividade nas exportações.

  • Exportações caem apesar de maior volume: as vendas externas recuaram 3,2%, mesmo com alta de 2,3% no volume embarcado, evidenciando o impacto da queda de 5,4% nos preços médios.

  • Pauta concentrada segue vulnerável: a indústria de transformação perdeu 6% em valor exportado, enquanto o agro sustentou parte do desempenho com recordes de volume – mas pressionado por preços mais baixos, especialmente da soja.

  • China cresce em volume, perde em valor: principal destino das exportações baianas, o país asiático respondeu por 28,4% da pauta, mas a queda dos preços reduziu o valor total embarcado.

  • EUA recuam sob efeito do tarifaço: as exportações para o mercado americano caíram 7,1%, atingindo setores-chave da pauta estadual e expondo riscos geopolíticos ao comércio exterior baiano.

  • Importações mostram sinais mistos: queda expressiva nos combustíveis contrasta com forte alta de bens de capital (+60%) e explosão das compras de bens de consumo (+175%), indicando investimentos pontuais e pressão competitiva sobre a indústria local.


Leia também: Após ano recorde, Minha Casa, Minha Vida chega a 2026 com mais recursos

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Tags: algodãoBahiabalança comercialcacauChinaEstados Unidosexportaçõesimportaçõesindústria de transformaçãoSEIsoja
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