O Piauí é a unidade da federação mais quente do Brasil se levarmos em conta os últimos 20 anos. Entre 1985 e 2024, o estado registrou 26,9º C de temperatura média anual, segundo o MapBiomas Atmosfera. Ele também figura entre os que tiveram aumento mais acelerado nas temperaturas, junto com Roraima e Mato Grosso do Sul, com taxas entre +0,34º C e 0,40º C por década.
O calor extremo e o tempo seco do estado com a menor extensão litorânea do Brasil exigem adaptação, mas também criam oportunidades. Enquanto empresas dos setores de construção civil e de refrigeração e climatização desenvolvem soluções, surgem novos negócios, como consultorias especializadas, e produtos de origem local, como medicamentos com jaborandi.
A Jornada Nacional de Inovação da Indústria, evento itinerante da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), está percorrendo todo o país para traçar desafios, propostas e inovações de cada estado.
No dia 25 de novembro, em Salvador, acontece o terceiro encontro regional da Jornada, do Nordeste, que vai reunir os estados da região. Para cada unidade da federação, a Agência de Notícias da Indústria está publicando uma matéria para contar um pouco mais sobre o ecossistema industrial e de inovação.
Já trouxemos um panorama sobre RS, SC, PR, GO, DF, MS, MT e MA. Piauí, que sediou dois encontros da Jornada, um em Teresina e outro em Parnaíba, é a segunda matéria da série do Nordeste.
Parnaíba produz jaborandi para medicamentos
A Centroflora foi fundada em 1957 e, em quase meio século, se tornou referência na América Latina na produção de extratos vegetais da biodiversidade brasileira para os setores farmacêutico, cosmético e alimentício, como bebidas funcionais. E, como grandes poderes trazem grandes responsabilidades, a empresa assumiu uma nobre missão: aumentar a autonomia do país e diminuir a importação de insumos farmacêuticos.
De São Paulo, o grupo abriu duas unidades em Parnaíba, com foco na extração e produção da pilocarpina, substância para medicamentos extraída do brasileiríssimo jaborandi, abundante nos estados do Pará, Maranhão e Piauí. A unidade agrícola tem 160 hectares dedicados à pesquisa, desenvolvimento, inovação agronômica e cultivo de plantas medicinais, extração de óleos essenciais e foco na domesticação do jaborandi.
Já a unidade fabril, que conta com linhas de produção para extratos fluídos, moles e secos, é reconhecida pela produção dos sais de pilocarpina. Para se ter uma ideia da relevância do negócio globalmente, hoje a Centroflora tem 2/3 da produção mundial da pilocarpina de rota natural.
Outro projeto inovador de destaque do grupo é a Plataforma InovafitoBrasil, que facilita a produção de medicamentos fitoterápicos ao unir indústria, academia e governo, seguindo exigências regulatórias e Níveis de Maturidade Tecnológica (TRLs).
Empresa alia tecnologia e sustentabilidade
A Xttest é uma climate tech que começou com serviços de auditoria e assessoria na área ambiental e de energias renováveis, e hoje tem soluções para certificação de hidrogênio verde e créditos de carbono. Para isso, utilizam tecnologias avançadas, como inteligência artificial, big data e blockchain, que garantem qualidade, autenticidade, segurança e rastreabilidade das informações.
Entre os projetos que já atuaram estão: inventário florestal da mata atlântica pernambucana ao longo de 200 km de trilhos da Transnordestina Logística e Estudo de Viabilidade Ambiental (EVA) em loteamento com 200 hectares na zona limítrofe da Área de Proteção Ambiental (APA) de Jericoacoara.
Conheça as empresas e inovações do Piauí mapeadas na Jornada de Inovação da Indústria
CentroFlora
Criada em 1968, a CentroFlora é líder em pesquisa e desenvolvimento de botânicos brasileiros e oferece uma ampla gama de extratos para mercados nutracêutico e farmacêutico. Com unidades em São Paulo e no Piauí, onde está instalada há 22 anos com uma unidade fabril e uma unidade agrícola, a empresa busca desenvolver a cadeia sustentável, desde a parte agronômica até a comercialização dos produtos.
XTTEST
Climate tech que realiza auditoria e assessoria para cadeias de energias renováveis e licenciamento ambiental, com suporte técnico completo. A startup desenvolve ainda certificações de hidrogênio verde, créditos de carbono e ativos de descarbonização.
Grupo Hot Sat
Com uma trajetória de quase três décadas e filiais no Ceará e no Piauí, a empresa Hot Sat atua no comércio atacadista e na produção de componentes eletrônicos e equipamentos para as áreas de climatização residencial, comercial e industrial; energia solar, incluindo a distribuição de painéis solares, inversores, baterias, kits solares e iluminação LED; telecomunicação; áudio; segurança; entre outros.
Casa Nova Engenharia
A principal estratégia da construtora para redução de resíduos na construção civil (RCCs) é o uso de materiais reutilizáveis, como formas, escoramentos e andaimes metálicos em substituição à madeira. Além disso, dão preferência ao drywall, ou fechamento de gesso acartonado, que resulta em menos resíduos, que incluem tijolos, concretos, terra, metais.
The Frigor
A The Frigor é uma empresa especializada em montagem e manutenção de câmaras frigoríficas sob medida. Atua com refrigeração industrial e comercial, além de manutenção preventiva e corretiva. Estamos situados em Teresina e atendemos nos Estados do Piauí e do Maranhão. Maior desafio é trabalhar com temperaturas abaixo de 0 no calor do Piauí. Com um sistema de monitoramento remoto, conseguem acompanhar e realizar manutenção preventiva e corretiva a distância.
Nutri Alimentos
A startup atua com reutilização da água residual de aquicultura – atividade de cultivo de organismos aquáticos, como peixes, crustáceos e algas – para diversos fins, como rega de hortaliças e pomares ou criação de outros animais.
O sistema de recirculação criado pela empresa, que evita o desperdício de água, já é utilizado em 60 comunidades, indígenas, quilombolas e assentamentos de reforma agrária.
Foxinline
A empresa de tecnologia de Parnaíba desenvolveu o CERURB, solução que ajuda no processo de regularização fundiária urbana em três etapas. A primeira é um aplicativo para o usuário acompanhar o status de regularização do imóvel, enviar documentos e interagir com a equipe técnica.
A segunda é uma central de suporte para as equipes de campo e gestores municipais, que possibilita a comunicação do cidadão e o município e organiza os dados do cadastro e de georreferenciamento e os relatórios técnicos, inclusive para auditorias e fiscalizações.
E a terceira é o sistema notário, que automatiza e organiza os processos, garantindo que títulos e documentos tenham o trâmite correto junto aos cartórios. A plataforma já é utilizada por órgãos públicos, como tribunais de justiça e prefeituras.
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