Sob a liderança de Ronnie Motta, ex-CEO da Bombril, a Natulab inicia uma nova fase marcada por investimentos, diversificação e ambição internacional. A farmacêutica baiana, vendida pelo Pátria Investimentos ao fundo Pettra em abril de 2024, busca agora consolidar sua posição no mercado de medicamentos isentos de prescrição, fitoterápicos e suplementos vitamínicos.
Com sede em Santo Antônio de Jesus (BA), a companhia aplicou, nos últimos meses, R$40 milhões na modernização de seu parque industrial e inaugurou uma estratégia de quatro frentes de negócios: medicamentos, suplementos, terceirização e hospitalar. Para o futuro, o olhar se volta para a expansão em áreas como cosméticos, descartáveis e higiene pessoal.
“O foco é crescimento, crescimento e crescimento”, resumiu Motta, durante encontro com jornalistas em Salvador. O resultado já aparece nos números: a Natulab cresceu 7,4% em receita no primeiro semestre de 2025, o dobro da média do mercado, mantendo a meta de acelerar acima da concorrência.
Um dos ativos mais valiosos da Natulab é sua ampla rede de distribuição, que atinge praticamente todas as farmácias brasileiras. “A cada 100 farmácias no Brasil, em 99 tem ao menos um produto da Natulab”, diz Ronnie Motta, evidenciando a capilaridade da marca. Essa presença massiva abre um leque de oportunidades, com potencial de crescimento expressivo a partir de um pequeno aumento de vendas. “Se vendermos apenas R$1 mil a mais por ponto de venda, isso representa R$90 milhões adicionais em receita”, projeta o executivo.

Portfólio
Com um portfólio robusto de mais de 150 produtos, a Natulab ostenta a liderança de mercado em 21 categorias, incluindo nomes de peso como Maxalgina (analgésico mais vendido no Brasil), Seakalm (passiflora incarnata L.), Rifotrat (rifamicina), Viter C (ácido ascórbico), Tilemaxy (paracetamol) e Ibuprotrat (ibuprofeno). Outros 46 produtos figuram entre os três primeiros em suas respectivas categorias. A meta é expandir ainda mais esse portfólio, com o lançamento de novas soluções, como um antigripal.
Paralelamente, a empresa tem apostado na terceirização de serviços, fabricando para grandes players como Hypera, Aspen Pharma e Bayer. Embora a margem seja ligeiramente menor, essa iniciativa contribui para a diluição de custos fixos e agrega valor técnico e de reputação, uma vez que parceiros como a gigante alemã Bayer exigem os mais altos padrões de qualidade.
De quebra, a farmacêutica também aposta em expansão internacional. Estuda iniciar exportações para o Mercosul e, em seguida, chegar a Portugal.
Empregos
Com três unidades fabris, um centro de distribuição, 1.070 colaboradores diretos e outros 5 mil indiretos, a Natulab tem perfil de empresa que impacta a economia regional: a companhia se destaca por oferecer salários 30% maiores que a média de Santo Antônio de Jesus, além de ter pago Participação nos Lucros e Resultados (PLR) este ano.
Após 25 anos de história, a a baiana Natulab reforça a marca, agora redesenhada, e se reposiciona para competir em novos mercados. Para Ronnie Motta, o recado é simples: há espaço para crescer, dentro e fora do Brasil.
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