Brumado, no sertão da Bahia, guarda um tesouro silencioso: uma das maiores e mais puras jazidas de magnesita do planeta. O Brasil detém a quarta maior reserva global do mineral, e cerca de 85% dessa riqueza está concentrada exatamente ali, na Serra das Éguas, onde funciona uma das maiores minas do mundo, operada pela gigante RHI Magnesita.
Mas afinal, o que é magnesita? Trata-se da principal fonte de magnésio, um elemento estratégico para várias indústrias. Quando calcinada, a magnesita se transforma em magnésia, insumo essencial na fabricação de materiais refratários – produtos que suportam temperaturas elevadíssimas e são indispensáveis para o funcionamento de altos-fornos na indústria siderúrgica. Só para se ter ideia, 80% da magnesita beneficiada no Brasil vai direto para esse setor.
E não para por aí: o mineral também tem aplicações na indústria farmacêutica, química, na produção de borracha sintética, fertilizantes e até vidro. Com tamanho leque de usos, seu valor estratégico é inegável, especialmente num contexto global em que os principais produtores estão concentrados na Ásia e no Leste Europeu.
A vantagem brasileira? Qualidade, escalabilidade e localização. O subsolo de Brumado oferece camadas espessas de magnesita de altíssimo teor, associadas a formações geológicas raras, o que posiciona a Bahia como peça-chave num mercado cada vez mais atento à segurança de suprimentos minerais.
Em tempos de transição energética, crescimento industrial e disputas geoeconômicas por matérias-primas críticas, a magnesita baiana é um ativo de peso. E talvez esteja na hora de dar a ela o destaque que merece.
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