Por Carlos Henrique Passos*
Quando discutimos competitividade da indústria brasileira, temas como jornada de trabalho, reforma tributária e Custo Brasil ocupam o centro do debate. No entanto, há um fator que se torna cada vez mais relevante e impacta diretamente a capacidade de crescimento do país: o custo da energia.
Um dos temas em discussão na Confederação Nacional da Indústria (CNI) são os leilões de contratação de reserva de capacidade energética. Especialistas alertam que a medida pode gerar custos de bilhões de reais ao sistema elétrico, gerando ônus aos que utilizam a energia de forma mais intensa, como a indústria.
A verdadeira discussão, no entanto, é ainda mais complexa. A Bahia vive a contradição de ter grande capacidade de geração de energia, especialmente a partir de fontes renováveis, mas o potencial é subaproveitado.
À Bahia interessa o aumento do consumo de forma produtiva, impulsionando investimentos, geração de emprego e desenvolvimento econômico. Ocorre que o modelo de precificação da energia não nos favorece e gera um custo final elevado.
Cabe ainda lembrar que o sistema elétrico brasileiro, apesar da previsão, há muito não recebe aporte do orçamento público e qualquer subsídio é suportado pelos consumidores de energia
Os efeitos negativos ocorrem em cadeia. O aumento dos preços desestimula o consumo, reduz a competitividade industrial e eleva os custos dos produtos. Para a Bahia, os prejuízos são duplos. Parte da energia produzida não consegue ser plenamente absorvida pelo sistema, deixando inclusive de gerar receita para os
investidores que implantaram parques eólicos e solares. Além disso, o alto custo dificulta a atração de novas indústrias, reduzindo a demanda local e limitando o desenvolvimento regional.
É importante lembrar que não existe indústria sem energia: a essência da atividade industrial é a transformação. O desafio está em reposicionar a energia como insumo para a atividade produtiva, em vez de apenas instrumento de arrecadação ou de financiamento de subsídios setoriais. Embora alguns desses subsídios beneficiem segmentos industriais, é necessário avaliar sua efetividade e os impactos sobre a competitividade do país.
Cabe ainda lembrar que o sistema elétrico brasileiro, apesar da previsão, há muito não recebe aporte do orçamento público e qualquer subsídio é suportado pelos consumidores de energia.
Outro aspecto fundamental é a criação de políticas que incentivem a instalação de novas unidades consumidoras próximas aos locais de geração. Isso permitiria ampliar o consumo, aumentar a escala do sistema e reduzir custos associados à transmissão e distribuição de energia. Hoje, o país consome 566 mil GWh de energia por ano e a Bahia 4,9% disso, com 27 mil GWh, de acordo com o Anuário da Empresa de Estatística Energética (EPE). Há espaço para crescer, considerando a capacidade de geração. Trata-se de uma estratégia de médio e longo prazo que precisa estar em pauta com a devida prioridade.
*Carlos Henrique Passos é presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb)
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