A Votorantim Cimentos vai investir R$260 milhões na construção de uma nova linha de moagem na fábrica de Xambioá, no Tocantins. A obra eleva a capacidade da unidade de 1 milhão para 1,5 milhão de toneladas de cimento por ano, num um aumento de 50%, com operação prevista para julho de 2028.
O aporte integra um programa maior: R$5 bilhões que a empresa pretende investir no Brasil entre 2024 e 2028, dos quais R$3,1 bilhões já estão em execução. O foco declarado é elevar capacidade de produção, reduzir emissões de CO2 e ampliar o uso de combustíveis alternativos nas unidades do país.
Xambioá já sai na frente nesse último ponto. A fábrica opera com coprocessamento, tecnologia que usa resíduos e biomassa como substituto ao coque de petróleo. Hoje, 60% do combustível consumido na unidade vem dessa fonte alternativa, percentual alto para o padrão do setor, em que grande parte das fábricas ainda depende majoritariamente de combustíveis fósseis.
A expansão da linha de moagem não vem sozinha. Corre em paralelo com a modernização do forno de clínquer, já em andamento, e com estudos para dobrar a produção de clínquer na unidade até 2030. A empresa também estuda ampliar a produção de calcário agrícola da marca Viter, braço de soluções para o agronegócio.
“Nossa fábrica de Xambioá já é uma referência para os clientes e para o mercado da região Norte. O investimento na expansão dessa unidade fortalece o nosso posicionamento competitivo e reflete a nossa crença no potencial de crescimento dos estados da região. Buscamos evoluir juntos, impulsionando o desenvolvimento regional, a geração de renda e a melhoria do nível de serviço aos nossos clientes”, afirma nosso CEO global, Osvaldo Ayres Filho.
Por que importa
Xambioá abastece três estados – Tocantins, Pará e Maranhão – com as marcas Poty e Tocantins. É uma região onde a logística de cimento pesa no custo final: transportar o produto de fábricas do Centro-Sul até o Norte encarece a obra civil local. Uma fábrica regional operando com 50% mais capacidade reduz essa dependência de frete de longa distância e tende a segurar preços para construtoras e prefeituras da região.
A unidade emprega hoje cerca de 230 pessoas diretamente. O investimento não veio acompanhado de meta de novas contratações, mas ampliação de capacidade de moagem costuma exigir operação em mais turnos, o que pressiona demanda por mão de obra local nos próximos anos.
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