Tapetes industriais, palmilhas para calçados e até aplicações no setor asfáltico podem ter a mesma origem: a borra gerada no processo de reciclagem de processadores e solventes. Em Santa Catarina, a Reciclo Química, uma indústria especializada em recuperação de processadores, solventes industriais e tratamento de efluentes químicos, faz da sobra de um rejeito a matéria-prima para outros segmentos industriais.
Há 36 anos, a indústria recicla materiais que antes geralmente seguiam para descarte e, após tratamento, passam a ganhar uma nova utilidade. No caso da borra, o resíduo é gerado a partir da gravação dos clichês de impressão utilizados pelas indústrias de embalagens. No processo de recuperação dos solventes, a Reciclo utiliza a destilação, na qual a parte líquida é evaporada e recuperada, enquanto a parte sólida se concentra na base da máquina.
Essa sobra, de aspecto semelhante ao da borracha, é o que popularmente chama-se de borra. Ao invés de ser encaminhado para aterros, o material passa por tratamento e é destinado a empresas que o reaproveitam em processos produtivos ou no desenvolvimento de novos produtos.
Segundo um dos engenheiros químicos da Reciclo, Carlos Eduardo Zappelini Nascimento, o tratamento da borra evita que o resíduo tenha uma destinação inadequada e permite que ele retorne à cadeia produtiva. “Deixamos o resíduo em condições úteis para que a indústria possa reaproveitar na cadeia produtiva. É nesse sentido que nos preocupamos com o aproveitamento de quase 100% do material que entra aqui”, afirma.
Aplicações da borra
Mensalmente, a Reciclo produz entre 27 e 43 toneladas de borra. A partir desse material, podem ser desenvolvidas diferentes aplicações industriais, como tapetes emborrachados utilizados por pessoas com deficiência visual, rodas de carrinhos para pequenas cargas, suportes para máquinas e equipamentos, marteletes, buchas e palmilhas para calçados.
O reaproveitamento também alcança a construção civil e o setor asfáltico. “A fabricação de asfaltos com fotopolímeros é uma área em que muitas indústrias estão investindo, porque esse material aumenta a longevidade do piso asfáltico e da camada que o recobre. Por isso, a borracha e seus derivados, assim como a indústria e o reaproveitamento desse material, estão muito ligados às práticas ESG das empresas e ao desenvolvimento de novas tecnologias”, destaca Zappelini.
Além do tratamento realizado pela Reciclo, as empresas parceiras reaproveitam cerca de 10% da borra na operação industrial. Internamente, também são feitas etapas complementares, como limpeza, moagem e trituração da matéria-prima, para que ela seja novamente utilizada em processos industriais.
Sobre a Reciclo Química
Fundada em 1990, em Santa Catarina, a Reciclo está na segunda geração de gestão e consolidou sua atuação no ecossistema da flexografia, com soluções que incluem recuperação de solventes e processadores, destinação de subprodutos e tratamento eficiente de efluentes químicos. Ao longo dessa trajetória, a indústria se destacou por seu pioneirismo em operar um modelo que reforça a economia circular de forma prática reduzindo desperdício, reaproveitando recursos e integrando soluções ambientais ao negócio.
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