A Brava Energia anunciou, nesta sexta-feira (16), a aquisição dos 50% detidos pela Petronas Petróleo Brasil nos campos de Tartaruga Verde e no Módulo III de Espadarte, na Bacia de Campos (RJ). O movimento, formalizado por meio de fato relevante, reforça a estratégia da companhia de revisão ativa de portfólio e consolidação em ativos maduros, produtivos e com geração de caixa previsível.
A transação soma US$450 milhões, com desembolso escalonado: US$50 milhões na assinatura, US$350 milhões no fechamento – sujeito a ajustes com data-base em 1º de julho de 2025 – e duas parcelas diferidas de US$25 milhões, pagas 12 e 24 meses após a conclusão. O fechamento depende das aprovações usuais, incluindo Cade, ANP e eventual exercício de direito de preferência pelo operador, com expectativa de conclusão ao longo de 2026.

Na prática, a aquisição amplia a exposição da Brava a um cluster já em operação, com infraestrutura instalada e risco operacional reduzido.
Os ativos são atualmente operados pela Petrobras, que detém 50% de participação, por meio do FPSO Cidade de Campos dos Goytacazes, em operação desde 2018.
O conjunto conta com 14 poços produtores e registrou, em 2025, produção média de 55,6 mil boe/d (100% do ativo), majoritariamente óleo – perfil que favorece margens e previsibilidade.
O campo de Tartaruga Verde e o Módulo III de Espadarte estão localizados na porção sul da Bacia de Campos, em lâmina d’água entre aproximadamente 700 e 1.620 metros, com reservatórios a cerca de 3.000 metros de profundidade
Estratégia da empresa
Do ponto de vista estratégico, o negócio dialoga diretamente com o discurso da companhia. Segundo o diretor Financeiro e de RI, Luiz Carvalho, a operação está alinhada à busca por retorno ajustado ao risco, diversificação e disciplina na alocação de capital. Em um setor cada vez mais pressionado por eficiência e geração de valor, o reforço em ativos com concessões até 2039 e logística já estabelecida é um sinal claro ao mercado.
O anúncio também ganha peso adicional ao ocorrer em uma semana de transição na liderança da Brava. Décio Oddone deixa a presidência no dia 31, abrindo espaço para Richard Kovacs, que assume em 1º de fevereiro de 2026. A aquisição, portanto, funciona como uma ponte estratégica entre gestões: consolida diretrizes, reduz incertezas e indica continuidade na tese de crescimento com pragmatismo – menos discurso, mais barril produzindo.
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