O Porto de Aratu-Candeias, na Região Metropolitana de Salvador, começa a escrever um novo capítulo em sua história. Pela primeira vez em 51 anos de operação, o complexo portuário passa a movimentar granéis vegetais, inaugurando uma nova frente logística para o agronegócio da Bahia. A estreia ocorre com a movimentação de 35 mil toneladas de sorgo, carga produzida no oeste baiano e embarcada pelo terminal ATU 18. O movimento marca a entrada oficial do porto no circuito de escoamento da produção agrícola estadual.
Criado nos anos 1970 para atender à logística do Polo Petroquímico de Camaçari, Aratu construiu sua trajetória focado em cargas ligadas às indústrias petroquímica, mineral e de combustíveis. Agora, com a ampliação da infraestrutura e a inauguração dos terminais de granéis sólidos ATU 12 e ATU 18, o complexo passa a diversificar seu perfil operacional.
Segundo a Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), responsável pela administração do porto, a nova operação abre caminho para um ciclo de expansão logística. O projeto inclui a construção de quatro silos com capacidade para 30 mil toneladas cada, ampliação da retroárea e implantação de sistemas automatizados de esteiras para acelerar a movimentação de cargas.
A modernização foi conduzida pela CS Portos, empresa da CS Infra, que integra o Grupo Simpar. Ao todo, foram investidos mais de R$400 milhões na revitalização do terminal ATU 18, agora preparado para armazenar e movimentar grãos como soja, milho e sorgo.
Equipamentos
Entre os equipamentos instalados está um shiploader dedicado à exportação de grãos, capaz de operar com capacidade de até 2 mil toneladas por hora. Na prática, o sistema permitirá uma produtividade média de até 30 mil toneladas por dia.
Com a nova estrutura, o terminal poderá movimentar até 3,5 milhões de toneladas de grãos por ano. A previsão inicial é atingir 3 milhões de toneladas já no primeiro ano, com armazenagem estática de 120 mil toneladas. Em fases futuras de expansão, a capacidade pode chegar a 7,5 milhões de toneladas anuais.
A entrada de Aratu no mercado de granéis vegetais amplia as opções logísticas para o agronegócio do oeste baiano e fortalece o papel da Bahia na cadeia exportadora de grãos.
Análise Indústria News
O que aconteceu
O Porto de Aratu-Candeias iniciou sua primeira operação de granéis vegetais, após cinco décadas dedicado principalmente a cargas industriais. A movimentação inicial de sorgo marca a estreia do terminal ATU 18 no escoamento de grãos produzidos no oeste da Bahia.
Por que isso importa
A mudança tem peso estratégico para a economia baiana. O oeste do estado se consolidou como uma das principais fronteiras agrícolas do Brasil, com forte produção de soja, milho e algodão. No entanto, grande parte dessa produção ainda depende de portos distantes ou rotas logísticas mais caras.
Ao entrar no circuito do agronegócio, Aratu passa a funcionar como uma alternativa portuária relevante para o escoamento da safra, reduzindo gargalos logísticos e potencialmente diminuindo custos de transporte.
Outro ponto importante é a diversificação do próprio porto. Um complexo historicamente dependente da indústria petroquímica passa a incorporar o agronegócio – setor que hoje responde por uma parcela crescente das exportações brasileiras.
Na prática, trata-se de um movimento que aproxima dois motores da economia baiana: indústria e agro.
O que fazer com essa informação
Para empresários e investidores, o movimento sinaliza três tendências claras:
1 – Expansão logística do agro baiano
O crescimento da produção agrícola no oeste exige novas rotas de exportação. Infraestruturas como Aratu tendem a ganhar protagonismo.
2 – Oportunidades na cadeia de serviços logísticos
Transporte rodoviário, armazenagem, operadores logísticos e trading companies podem se beneficiar da nova estrutura.
3 – Pressão por integração logística no estado
Para que o potencial se concretize, a Bahia precisará avançar em rodovias, ferrovias e corredores de exportação, conectando de forma mais eficiente o interior agrícola aos portos.
Em outras palavras: Aratu começa a disputar espaço no mapa logístico do agronegócio brasileiro — e isso pode mudar o jogo das exportações baianas nos próximos anos.
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