A indústria brasileira encerrou o ano de 2025 com um saldo positivo, mas o clima não é de celebração plena. Segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgados hoje pelo IBGE, o setor acumulou uma alta de 0,6% no ano – o terceiro resultado anual positivo consecutivo. No entanto, o desempenho de dezembro trouxe uma ducha de água fria: uma queda de 1,2%, a mais intensa em quase um ano e meio.
Em 2025, o avanço de 0,6% frente a 2024 mostrou resultados positivos em duas das quatro grandes categorias econômicas, 15 dos 25 ramos, 42 dos 80 grupos e 49,6% dos 789 produtos pesquisados. Entre as atividades, as principais influências positivas vieram de indústrias extrativas (4,9%) e produtos alimentícios (1,5%). Por outro lado, entre as dez atividades com redução na produção, a de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-5,3%) exerceu a maior influência na formação da média da indústria.
“O setor extrativo, especialmente impulsionado pelo petróleo, é o principal destaque positivo. É o que garante o avanço do total do setor industrial, ao passo que a indústria de transformação teve uma perda de 0,2% no ano de 2025”, avalia Macedo.
Dezembro
O recuo de dezembro não foi um evento isolado, mas o ápice de um semestre que perdeu fôlego. Enquanto os primeiros seis meses de 2025 mostraram uma expansão de 1,2%, a segunda metade do ano estagnou. Com isso, o setor termina o ano apenas 0,6% acima do patamar pré-pandemia e ainda muito distante – exatos 16,3% – do seu pico histórico registrado em 2011.
O peso dos juros e das férias coletivas
De acordo com o gerente da pesquisa, André Macedo, o “vilão” do segundo semestre tem nome: a política monetária restritiva. O aumento nas taxas de juros pesou no bolso das famílias e travou decisões de investimento das empresas.
Em dezembro, o tombo foi puxado especialmente pelo setor de veículos (-8,7%), produtos químicos e metalurgia. Embora paralisações e férias coletivas típicas de fim de ano tenham acentuado esses números, a retração foi disseminada, atingindo 17 das 25 atividades pesquisadas.
No lado oposto, o setor extrativo, impulsionado pelo petróleo, foi o grande “salvador” do PIB industrial no ano, compensando a leve retração de 0,2% da indústria de transformação.
Análise: Por que esses números importam?
Mais do que apenas estatísticas, os dados do IBGE revelam a estrutura da nossa economia atual e os desafios que o empresário terá pela frente. Abaixo, estruturamos os pontos cruciais para entender o cenário:
1 – A dualidade da indústria brasileira
O resultado de 2025 reforça uma divisão clara: temos uma indústria extrativa pujante (alta de 4,9%) e uma indústria de transformação em dificuldade (-0,2%).
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Por que importa: Isso mostra que o crescimento do Brasil ainda está muito ancorado em commodities (petróleo e minério). Para o setor de tecnologia, manufatura e bens de consumo, a realidade é de estagnação, o que limita a criação de empregos qualificados e o valor agregado nacional.
2 – O impacto direto do crédito (bens de capital e duráveis)
A queda acentuada em Bens de Capital (-8,3%) e Veículos em dezembro é um termômetro do custo do dinheiro.
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Por que importa: Bens de capital são máquinas e equipamentos que as empresas compram para produzir mais no futuro. Quando esse índice cai, sinaliza que o empresário está “pisando no freio” nos investimentos. Sem investimento hoje, não há aumento de produtividade amanhã.
3 – O desafio da Taxa Selic em 2026
O “menor dinamismo” citado pelo IBGE no segundo semestre de 2025 é o reflexo direto dos juros altos.
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Por que importa: Para o leitor do Indústria News, fica o alerta: enquanto o custo do crédito não ceder, a recuperação da indústria de transformação continuará sendo lenta e dependente de nichos específicos. O planejamento para 2026 deve ser cauteloso com o fluxo de caixa e focado em eficiência operacional.
4 – O copo meio cheio: consumo de médio prazo
Apesar dos percalços, os Bens de Consumo Duráveis cresceram 2,5% no acumulado do ano.
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Por que importa: Isso indica que, apesar dos juros, houve uma resiliência no consumo de bens de maior valor ao longo do ano, possivelmente sustentada por programas de incentivo ou pela melhora na renda média, o que mantém uma base mínima de demanda para as fábricas.
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