
Para muita gente, tomar uma Antarctica gelada ainda é sinônimo de fim de tarde e conversa com os amigos. Mas pouca gente lembra que, durante décadas, a Companhia Antarctica Paulista foi muito mais do que uma marca de cerveja: foi indústria, cidade e economia em movimento. No final do século XIX, antes mesmo de existirem nomes familiares como Brahma ou Skol, a Antarctica já fabricava bebidas e gelo, transformando insumos europeus em produto brasileiro e ajudando a moldar parte do imaginário industrial do país.

Em Salvador, registros históricos apontam que a Antarctica teve presença física já no início do século XX, com instalações industriais na Rua da Calçada, na Cidade Baixa. Mais tarde, a fábrica foi transferida para a Rua Travasso do Meio, na Baixa do Bonfim.
A indústria era marcada por um prédio de arquitetura robusta – que apresentava tendências Art Déco – e pela capacidade de produção que abastecia mercados locais, além de refrigerantes e outras bebidas associadas à marca. Atualmente, a área é ocupada por um conjunto habitacional.
No auge de sua presença nacional, a Antarctica era uma das marcas mais consumidas do Brasil, chegando a figurar entre as maiores cervejarias do mundo ao lado de grandes concorrentes, com milhões de hectolitros produzidos anualmente. O crescimento do mercado de cervejas e bebidas também impulsionou a expansão da indústria para outras cidades – inclusive com subsidiárias e unidades em diversas regiões do país, que viram chaminés e rotas de distribuição crescerem ao ritmo dos trilhos ferroviários.
Competição

Nos anos 1990, no entanto, a competição no setor de bebidas se intensificou. A Antarctica enfrentava desafios de mercado, com mudanças no consumo, modernização dos processos e concorrência agressiva de outras marcas. Em 1999, a empresa passou por uma das maiores transformações de sua história: a fusão com a Companhia Cervejaria Brahma para a formação da Ambev.
A partir desse movimento, algumas fábricas antigas foram desativadas, dando lugar a uma produção mais concentrada e integrada, e consolidando um novo modelo de operação industrial no país. A produção da Antarctica na Bahia, então, foi transferida para a fábrica da Ambev em Camaçari, que opera desde 1969.
O legado da Antarctica vai muito além das garrafas e latas nas prateleiras: ela ajudou a espalhar cultura cervejeira e gerou milhares de empregos. Sua história é também a história da própria indústria brasileira de bebidas – feita de sabor, competição e transformações profundas no setor produtivo.
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MEMÓRIA DA INDÚSTRIA é um projeto editorial dedicado a contar as histórias das indústrias que ajudaram a construir a economia da Bahia, moldaram cidades, geraram empregos e deixaram marcas que resistem ao tempo – mesmo depois do fechamento de suas portas. Aqui, o foco não está apenas nos números, mas no impacto humano, urbano e econômico dessas empresas. Cada texto busca equilibrar memória afetiva, dados concretos e análise histórica, mostrando por que essas indústrias foram relevantes e o que a Bahia perdeu – ou aprendeu – com o fim de cada ciclo produtivo.
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