O Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás) vem se consolidando como uma das principais instituições brasileiras dedicadas ao desenvolvimento do biogás e do biometano como fontes limpas, competitivas e estratégicas para a transição energética. Com mais de 15 anos de atuação, a entidade opera como Instituição de Ciência, Tecnologia e Inovação, reunindo pesquisa aplicada, transferência de conhecimento e projetos orientados ao mercado.
Segundo a diretora de Engenharia e Inovação do CIBiogás, Aline Scarpetta, a atuação da entidade é ampla e estruturante. “Somos uma instituição dedicada ao desenvolvimento da cadeia do biogás e do biometano, com foco em soluções que realmente cheguem ao mercado”, afirma. O centro já executou mais de 25 projetos de pesquisa e desenvolvimento, mantém parcerias com mais de 50 instituições e capacitou cerca de 4.900 profissionais em 27 países, reduzindo assimetrias de informação em um setor ainda em consolidação.
Os números reforçam o avanço do mercado no Brasil. Atualmente, o país conta com 1.633 plantas de biogás em operação, com crescimento médio anual próximo de 19% nos últimos cinco anos. A capacidade instalada já alcança cerca de 4,7 bilhões de metros cúbicos normais por ano, impulsionada principalmente pelos setores de saneamento e agroindústria. “Estamos falando de um setor pujante, com plantas cada vez maiores e mais eficientes”, disse Aline, durante entrevista ao Webinar da Indústria.

Concentração
Apesar da concentração de projetos no Sul e Sudeste, o potencial das regiões Norte e Nordeste é expressivo e ainda pouco explorado. Para a diretora, o desafio passa menos pela tecnologia – já dominada no país – e mais pela estruturação de políticas públicas e modelos de negócio regionais. “É fundamental trazer dados consolidados de potencial e mostrar como esse potencial pode se transformar em investimento e desenvolvimento local”, explica.
Além de gerar energia elétrica, térmica ou combustível veicular, o biogás e o biometano oferecem ganhos ambientais, econômicos e sociais. “Transformamos um passivo ambiental em ativo energético, com geração de renda, empregos e redução das emissões de carbono”, resume Aline. Em um cenário de transição energética e busca por segurança no abastecimento, o biogás deixa de ser alternativa e passa a ocupar espaço estratégico na matriz energética brasileira.
O que são biogás e biometano
Biogás
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Combustível renovável produzido a partir da decomposição de resíduos orgânicos, como esgoto, lixo urbano e resíduos agroindustriais
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Gerado por um processo chamado digestão anaeróbia, sem presença de oxigênio
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Pode ser usado para gerar energia elétrica, térmica ou ser purificado para virar biometano
Biometano
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É o biogás purificado, com qualidade equivalente ao gás natural
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Pode ser utilizado em veículos leves e pesados, em processos industriais ou injetado na rede de distribuição de gás
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Substitui combustíveis fósseis como diesel, GLP e gás natural
Principais vantagens
- Energia limpa e renovável: reduz emissões de gases de efeito estufa
- Segurança energética: é uma fonte firme, armazenável e despachável
- Aproveitamento de resíduos: transforma passivos ambientais em ativos econômicos
- Redução de custos: pode substituir combustíveis fósseis mais caros
- Economia circular: gera biofertilizante, reduzindo o uso de adubos químicos
- Desenvolvimento regional: cria empregos, renda e novos modelos de negócio, especialmente no interior do país
- Aplicação versátil: atende indústria, agronegócio, saneamento e transporte
Quem é Aline Scarpetta
Diretora de Engenharia e Inovação do Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), Aline Scarpetta é engenheira ambiental, mestre em Engenharia e Tecnologia Ambiental pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especialista em Tecnologias da Cadeia Produtiva do Biogás pela UTFPR e em Eficiência Energética Aplicada aos Processos Produtivos pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Com mais de 12 anos de experiência, atua no desenvolvimento de soluções inovadoras para o setor, com foco em biogás, biometano e combustíveis avançados, além da estruturação de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
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