A economia baiana deve entrar em 2026 em ritmo mais lento. A projeção da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) é de crescimento de 1,4% do PIB, refletindo um ambiente macroeconômico mais restritivo, marcado por juros elevados, desaceleração da atividade nacional e incertezas no cenário internacional. Para o superintendente da Fieb, Vladson Menezes, a perda de fôlego é inevitável. “Vai haver uma desaceleração. A gente não tem como fugir disso”, afirmou durante entrevista exclsuiva ao Webinar da Indústria.
Mesmo com esse cenário mais apertado, alguns segmentos devem sustentar algum dinamismo em 2026. O refino de petróleo e os biocombustíveis tendem a avançar com novos investimentos, enquanto a construção civil deve seguir como destaque, impulsionada pelo Minha Casa, Minha Vida e por obras de infraestrutura na Região Metropolitana de Salvador. Setores como minerais não metálicos, máquinas e materiais elétricos também aparecem no radar. Já áreas ligadas a bens de consumo, como alimentos, bebidas e calçados, devem enfrentar mais dificuldades diante da desaceleração da demanda interna.
“Se eu tivesse que escolher um fator que mais pesa contra a competitividade da indústria da Bahia, seria infraestrutura. Resolver esses gargalos é fazer a Bahia avançar”
As energias renováveis, apesar do potencial estratégico da Bahia, seguem limitadas por gargalos de transmissão e pelo curtailment, enquanto a indústria extrativa sofre com o declínio natural da produção de petróleo e gás. Para Vladson Menezes, o principal entrave estrutural da indústria baiana continua sendo a infraestrutura. “Se eu tivesse que escolher um fator que mais pesa contra a competitividade da indústria da Bahia, seria infraestrutura. Resolver esses gargalos é fazer a Bahia avançar”, destacou.
O cenário mais desafiador de 2026 contrasta com o desempenho de 2025, ano em que a economia baiana deve fechar com crescimento estimado de 2,6%, acima da média nacional. O resultado marca o quinto ano consecutivo de expansão e foi puxado principalmente pela agropecuária, beneficiada por uma supersafra, e pela construção civil, que apresentou forte geração de empregos mesmo em um ambiente de juros elevados. “A Bahia cresce mais do que o Brasil, mesmo num cenário de desaceleração”, ressaltou o superintendente da Fieb.

Indústria
A indústria baiana também apresentou desempenho relativamente melhor que o nacional em 2025, com crescimento estimado de 1,5%, enquanto a indústria de transformação avançou cerca de 1,1%. O refino e a construção civil foram os principais motores, enquanto setores como química e petroquímica sofreram com a concorrência internacional e a queda cíclica do mercado global. “A China se tornou o maior exportador de produtos do mundo e isso pressiona diretamente a indústria brasileira”, observou Menezes.
Apesar da desaceleração projetada para 2026, a avaliação da Fieb é de que a Bahia mantém bases sólidas para uma retomada futura. A diversidade da estrutura produtiva, o peso da indústria regional e os investimentos em infraestrutura e novos empreendimentos colocam o estado em posição estratégica. “Quando as condições macroeconômicas melhorarem, a Bahia tem tudo para voltar a crescer com mais força”, concluiu.
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