As novas tarifas de até 50% impostas pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros, que entraram em vigor nesta quarta-feira (6/8), acenderam o alerta na indústria baiana. Em entrevista ao Webinar da Indústria, o economista Marcus Verhine, gerente executivo de Desenvolvimento Industrial da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), analisou os impactos do tarifaço na economia do estado, destacando a ameaça às exportações, ao emprego e à competitividade de setores estratégicos.
A ofensiva tarifária, que começou com a China e agora atinge em cheio o Brasil, já vinha sendo monitorada pela Fieb desde abril. “A preocupação era o desvio de comércio. Produtos chineses barrados nos EUA começaram a chegar com mais força ao Brasil, competindo com os nossos”, explicou Verhine.
O golpe mais direto, no entanto, veio em julho, quando o governo Trump anunciou a taxação de 50% sobre uma ampla lista de produtos brasileiros. Apesar de uma lista com 697 exceções, que poupou itens como a celulose em fardos e solúvel, principal produto industrial baiano exportado aos EUA, o estrago foi significativo: 63% das exportações industriais da Bahia serão taxadas em 25% ou 50%.
Entraram no tarifaço itens como pneus para carros de passeio (dos quais 60% das exportações baianas vão para os EUA), petroquímicos, ferro cromo, ferro silício, manteiga de cacau e até água de coco. Só este último gerou US$ 20 milhões em exportações no ano passado e movimenta toda uma cadeia produtiva local. “É um setor que emprega muito e vai sentir o impacto diretamente nas comunidades”, alertou Verhine.

PIB da Bahia
Os efeitos vão além do comércio exterior. Segundo análise do Observatório da Indústria da Fieb, o PIB da Bahia pode encolher 0,27%, o que representa uma perda de R$ 1,3 bilhão. O setor calçadista, com forte presença no interior do estado – em cidades como Jequié e Itapetinga – também está na linha de impacto. Só esse segmento gerou 2.380 novos empregos no primeiro semestre, num contexto em que a indústria baiana foi responsável por 13.575 das 67.533 vagas formais criadas.
“A gente entende que não é fácil direcionar esses produtos para outros mercados, não é tão simples assim”, resumiu Marcus Verhine. A fala reflete o desafio real que as empresas terão pela frente para mitigar os danos de uma medida que, no curto prazo, pressiona a produção, o emprego e a competitividade da indústria baiana.
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