O tarifaço de Donald Trump promete azedar o humor – e o caixa – da Ferbasa. A gigante baiana das ferroligas, que exporta para países como Japão, China, União Europeia e, principalmente, Estados Unidos, viu seu mercado americano se tornar bem mais caro da noite para o dia. Com tarifas saltando para 68% sobre o ferrossilício e 40% sobre o ferrocromo, a estratégia comercial da empresa entra na zona de turbulência. Não é exagero dizer que o golpe foi direto no ponto mais sensível: todos os produtos enviados aos EUA foram atingidos.
O impacto é potencializado por um detalhe que diz muito sobre a trajetória recente da Ferbasa: suas exportações para os Estados Unidos vinham crescendo de forma acelerada ano após ano. Em 2021, eram 13% do total; em 2022, 16%; em 2023, 19%; e, no ano passado, chegaram a expressivos 39%. Só no primeiro semestre deste ano, mesmo com a instabilidade, já representaram 17%.
O risco não é apenas direto. Há um efeito cascata que preocupa. Como os EUA são um cliente-chave para as exportações brasileiras de aço, uma retração na siderurgia nacional também ameaça os negócios da empresa baiana.
Produção
No segundo trimestre de 2025, a empresa produziu 75,4 mil toneladas de ferroligas, praticamente estável frente ao trimestre anterior, com alta nas ligas de cromo e queda nas de silício. Destaque para o FeSi HP, que avançou 26,9% e já responde por 45% das ligas de silício, ou seja, justamente um dos produtos mais taxados pelos americanos.
Fundada e enraizada na Bahia, com presença em 18 municípios e responsável por 4.800 empregos diretos e indiretos, a Ferbasa é peça importante no tabuleiro econômico do estado. Seu portfólio, composto por ligas essenciais para a indústria do aço inoxidável e especial, enfrenta agora um teste de resiliência.
A empresa monitora a conjuntura e avalia impactos, mas o recado de Washington é claro: protecionismo à moda antiga voltou, e quem cresceu mirando os EUA precisa, no mínimo, recalibrar a bússola.
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