Instalada em uma região historicamente desafiada por desigualdades socioeconômicas e conflitos por terra, a Veracel Celulose se firmou, nos últimos anos, como um agente de transformação no Extremo Sul da Bahia, convertendo o cultivo de eucalipto e a produção de celulose em desenvolvimento econômico e social. Ao completar 34 anos nesta segunda-feira (15/7), a empresa celebra números expressivos: mais de 21 milhões de toneladas de celulose produzidas, cerca de 3,2 mil empregos diretos e indiretos e uma contribuição estimada de 1,5% para o PIB da Bahia.
“A Veracel é uma demonstração concreta de que é possível conciliar desenvolvimento industrial, geração de valor compartilhado e sustentabilidade. E segue, aos 34 anos, olhando para o futuro com o mesmo compromisso que marcou sua origem”, diz Caio Zanardo, diretor-presidente da Veracel.
Instalada em Eunápolis, a fábrica opera acima da capacidade nominal – 5% superior, segundo dados recentes – e mantém investimentos constantes em manutenção e inovação. A empresa, uma joint venture formada em 1991 entre a brasileira Suzano e a sueco-finlandesa Stora Enso, produz anualmente cerca de 1,1 milhão de toneladas de celulose branqueada de eucalipto. Toda a produção é destinada aos seus acionistas.
“Somos uma empresa única com essa governança 50/50. Isso nos provoca a fazer diferente, com visões complementares e muito alinhamento estratégico”, pontuou Zanardo durante conversa com jornalistas de Salvador, na sede da empresa, em Eunápolis. A operação industrial da Veracel, iniciada em 2005, envolve uma estrutura robusta que inclui uma fábrica, áreas florestais, o Terminal Marítimo de Belmonte (TMB) e a Estação Veracel. Com manejo sustentável de 221 mil hectares – sendo metade de eucalipto e metade de mata nativa preservada –, a empresa adota um modelo de equilíbrio entre produção e conservação ambiental.
Além do impacto direto na geração de renda e empregos, o efeito multiplicador da presença da Veracel é significativo. De acordo com a Fieb (Federação das Indústrias do Estado da Bahia), apenas três anos após o início da operação industrial, o PIB de Eunápolis cresceu 76%, o emprego total avançou 94% e a indústria local se expandiu em 267%, índices muito superiores à média do estado.
Durante a entrevista, Caio Zanardo também destacou o compromisso com a logística sustentável. O projeto inicial da empresa previa que, ao menos 20% da produção de celulose, seguiria para o Portocel, em Aracruz, no Espírito Santo, em caminhões. No entanto, há uma década, 100% da carga segue em barcaças. “Todo o fluxo foi otimizado para reduzir impactos ambientais e aumentar a segurança”, afirma Zanardo.
Em 2023, a Veracel injetou R$411 milhões em compras locais, reforçando sua importância como âncora econômica para os 11 municípios em que atua. “A Veracel é como uma grande loja num grande shopping center. Nossa cadeia envolve produtores florestais, fornecedores e prestadores de serviço locais”, compara o executivo.
Iniciativas sociais
O impacto da companhia vai além do econômico. Em 2024, a Veracel investiu mais de R$10 milhões em projetos sociais e reciclou 50 mil toneladas de resíduos industriais, o equivalente a 99% de reaproveitamento. O uso de mais de 2 mil painéis solares e o baixo consumo hídrico da planta também refletem o esforço contínuo por inovação sustentável.
Com forte presença em comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas, a empresa promove ações estruturadas de apoio social. No último ano, 1.661 famílias foram beneficiadas por projetos de inclusão produtiva. Entre as frentes apoiadas estão 1.500 famílias ligadas à agricultura familiar, 169 famílias de apicultores que produziram 48 toneladas de mel, além do apoio a 34 aldeias Pataxó e Tupinambá. A empresa também distribuiu 1.391 kits de salvatagem à comunidade pesqueira da região.
Outro eixo prioritário é a capacitação. Em 2024, a meta é formar 300 pessoas na região – quase o dobro do ano anterior. Cursos técnicos, estágios e formações para operadores de máquinas florestais e pessoas com deficiência estão em andamento, com apoio do Sistema Fieb, Senai e Cimatec. “Temos uma região com alto índice de desemprego. Não é que falte gente para trabalhar, falta qualificação. Capacitar é nosso papel. O Senai tem sido um parceiro fenomenal”, afirma Zanardo.

Governança e cultura organizacional
A Veracel também se destaca por seu modelo de governança corporativa e cultura organizacional. A companhia mantém um dos menores índices de consumo de água do setor no Brasil e trabalha fortemente com dados, automação e digitalização de processos. Na dimensão humana, a empresa avança na promoção da diversidade e inclusão: 50,4% dos cargos de liderança são ocupados por pessoas negras, e 31,1% por mulheres. “Nosso papel como liderança é ser professor de estratégia. As pessoas são quem fazem a empresa acontecer”, resume Zanardo.
Em meio a todos os números e marcos celebrados neste 15 de julho, o executivo resume a filosofia da Veracel com uma visão ampla: “Não existe empresa de sucesso em território fracassado. O desenvolvimento do território é condição para o nosso crescimento.”

- O jornalista Geraldo Bastos visitou as unidades da Veracel e da Suzano, no Extremo Sul da Bahia, a convite da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (Abaf)
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