A canadense Equinox Gold anunciou a venda de 100% de sua participação em ativos no Brasil para uma subsidiária do grupo chinês CMOC, em uma transação avaliada em US$1,015 bilhão (cerca de R$5,5 bilhões). O pacote inclui a Mina Aurizona, no Maranhão; a Mina Riacho dos Machados (RDM), em Minas Gerais; e o Complexo Bahia, que reúne as operações Santa Luz e Fazenda Brasileiro.
Do total negociado, a companhia receberá US$900 milhões em pagamento à vista no fechamento do negócio, sujeito a ajustes usuais, além de um pagamento contingente de até US$115 milhões, atrelado à produção e previsto para até um ano após a conclusão da operação. O fechamento está previsto para o primeiro trimestre de 2026, condicionado às aprovações regulatórias e demais condições habituais, sem dependência de financiamento.
Entre os ativos vendidos está a Mineração Santa Luz, inaugurada em julho de 2022 após um investimento aproximado de US$103 milhões. Localizada no município de Santaluz, na Bahia, a unidade se destacou por abrigar a primeira planta industrial do país a utilizar resina no processo de lixiviação de ouro, tecnologia considerada mais eficiente e ambientalmente sustentável. As obras foram concluídas dentro do prazo, sem registros de afastamentos por acidentes, e geraram cerca de 1,2 mil empregos na fase de implantação.
A produção teve início após nove meses de construção, com fundição iniciada em abril e operação comercial prevista para o fim de julho daquele ano. A meta de produção anual varia entre 70 mil e 90 mil onças, podendo chegar a 100 mil onças em plena capacidade.
Movimento estratégico
Segundo o CEO da Equinox Gold, Darren Hall, a venda das operações brasileiras representa um movimento estratégico para reposicionar a companhia como uma produtora de ouro com foco exclusivo na América do Norte. De acordo com ele, os recursos obtidos terão impacto direto no fortalecimento do balanço, permitindo a quitação integral de um empréstimo a prazo de US$500 milhões e de um financiamento de US$300 milhões junto à Sprott, além da redução da linha de crédito rotativo. A expectativa é de queda relevante nas despesas financeiras e aumento do fluxo de caixa por ação, ampliando a capacidade de autofinanciamento e de retorno de capital aos acionistas.
Hall destacou ainda que a monetização dos ativos no Brasil simplifica o portfólio e direciona o capital para projetos considerados de maior retorno e menor risco no Canadá e nos Estados Unidos. Entre os principais ativos estratégicos estão Greenstone, em Ontário; Valentine, em Terra Nova e Labrador; e Castle Mountain, na Califórnia.
Após a conclusão da transação, a Equinox Gold concentrará sua plataforma produtiva nas minas Valentine e Greenstone, no Canadá; Mesquite, na Califórnia; e El Limón e Libertad, na Nicarágua. Com a entrada em operação plena de Valentine e Greenstone, a companhia projeta uma produção anual entre 700 mil e 800 mil onças de ouro em 2026. As projeções formais de produção e custos devem ser divulgadas no início do próximo ano.
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