A reativação do moinho de trigo do Porto de Ilhéus, após 17 anos de inatividade, não é apenas uma boa notícia para a economia do sul da Bahia. É também um sinal claro da força de um grupo que, nascido em Sergipe, se consolidou como um dos maiores conglomerados industriais do Nordeste: o Grupo Maratá.
Sob o comando do empresário José Augusto Vieira, o grupo investirá R$130 milhões na modernização do terminal do Sul da Bahia, que terá capacidade para processar até 120 mil toneladas de trigo por ano. O contrato de concessão, com validade de 35 anos, sinaliza uma aposta de longo prazo e reforça a estratégia da companhia de expandir sua presença em áreas estratégicas da economia regional.
Mas, afinal, que grupo empresarial é esse? Quais são as suas estratégias de crescimento? E os investimentos previstos para os próximos anos?
Com mais de cinco décadas de atuação e cerca de 5.300 colaboradores, o Grupo Maratá construiu sua reputação a partir de dois pilares: qualidade e diversificação de produtos e eficiência logística. A combinação sustenta o sucesso da marca em escala nacional e dá fôlego para novos voos.
A base industrial da Maratá está concentrada em Lagarto (SE), onde a companhia opera em diversos segmentos. No setor de alimentos e bebidas, o portfólio inclui desde sucos, açúcares e condimentos até conservas, molhos e snacks. A estrutura industrial também contempla a produção de embalagens e copos plásticos, reforçando o controle vertical de sua cadeia produtiva.
Investimentos
Nos últimos anos, a Maratá acelerou seus investimentos. No ano passado, anunciou R$700 milhões em dois grandes projetos industriais: uma fábrica de massas em São Cristóvão, com previsão de operação até 2026, e outra de biscoitos em Lagarto, ainda em fase de implantação. Juntas, as unidades devem gerar mais de dois mil empregos diretos e consolidar a empresa como referência também na indústria de panificados.
O grupo ainda atua no setor agropecuário, com a Agromaratá — dedicada à criação de animais de corte —, na área de fertilizantes, por meio da Adumar, e construção civil.

Unidade de produção da Adumar Fertilizantes
Social
No campo social, a atuação da Fundação José Augusto Vieira é um capítulo à parte. Fundada em 1993, a instituição oferece educação gratuita e cursos de capacitação profissional em parceria com Senai e Senac, impactando diretamente a comunidade local.
Em julho de 2023, a Maratá deu outro passo estratégico: vendeu seu portfólio de marcas e ativos no segmento de café e chá para a multinacional holandesa JDE, numa movimentação que reforça o foco do grupo em áreas industriais de maior valor agregado.
Com apetite para crescer e um pé fincado no Nordeste, o Grupo Maratá mostra que não se trata apenas de uma marca tradicional. É uma potência industrial em plena expansão e agora com presença ainda mais forte na Bahia.
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