A Bahia encerrou 2025 com saldo positivo de 94.380 empregos com carteira assinada, terceiro melhor resultado do país, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. O desempenho foi puxado, sobretudo, pela indústria e pela construção, que juntas criaram quase 25 mil vagas formais no ano. O resultado consolida um momento positivo do mercado de trabalho no estado, mas já levanta a principal pergunta para 2026: o ritmo de geração de empregos será mantido em um ano marcado por incertezas econômicas, eleições e Copa do Mundo?
Os dados do Novo Caged mostram que o avanço do emprego formal foi generalizado, com saldo positivo em todos os grandes grupamentos econômicos. O setor de Serviços liderou a geração de vagas (54.459), seguido por Indústria (14.829), Comércio (12.748), Construção (10.055) e Agropecuária (2.295). No recorte produtivo, indústria e construção tiveram papel central ao sustentar o crescimento do emprego formal e reforçar a base econômica do estado.
Na indústria, o destaque ficou para a indústria de transformação, responsável por 12.227 novos postos de trabalho. Segmentos tradicionais, como fabricação de produtos alimentícios (2.946 vagas) e couro, calçados e artefatos de viagem (2.656), dividiram espaço com a fabricação de veículos, que abriu 1.841 vagas e já reflete o efeito da chegada da BYD à Bahia. Ao fim de 2025, o setor industrial empregava 325.154 trabalhadores formais no estado.
A construção também teve desempenho relevante, impulsionada principalmente pela construção de edifícios, com 8.796 vagas, sinalizando a retomada do mercado imobiliário e de novos projetos urbanos. O setor fechou o ano com 160.580 empregos com carteira assinada.
Desafios e sinais para 2026
O crescimento de 4,41% do emprego formal na Bahia – superior ao de estados como São Paulo e Rio de Janeiro – indica dinamismo econômico acima da média nacional. No entanto, manter esse ritmo em 2026 exigirá enfrentar desafios importantes. A indústria segue pressionada por juros elevados, custos de produção e necessidade de novos investimentos, enquanto a construção depende da continuidade do crédito imobiliário e da confiança do consumidor.
Além disso, um ano de eleições e Copa do Mundo costuma trazer maior volatilidade para decisões de investimento e consumo. O comportamento desses fatores será decisivo para definir se a Bahia conseguirá transformar o bom desempenho de 2025 em um ciclo mais longo de geração de empregos formais, especialmente nos setores que mais impulsionam a economia real.
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