As exportações baianas somaram US$815,7 milhões em maio, o menor valor mensal registrado em 2026. O desempenho reflete a combinação de redução no volume embarcado (-5,8%) e recuo nos preços médios dos produtos exportados (-0,29%) em comparação com o mesmo mês do ano passado. Os dados foram analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), vinculada à Secretaria do Planejamento (Seplan), com base nas estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O principal fator de pressão sobre as exportações foi o setor de refino de petróleo, que registrou queda de 83,1% no volume embarcado em maio. O resultado é atribuído às paradas de manutenção nas unidades produtivas e aos efeitos da tributação sobre exportações de petróleo e derivados implementada pelo governo federal em março, medida adotada para preservar o abastecimento interno em meio às turbulências do mercado internacional de energia.
No acumulado do ano, o volume total exportado pela Bahia apresenta retração de 5,7%, evidenciando as dificuldades enfrentadas por segmentos importantes da pauta exportadora estadual.
Além do refino, outros setores estratégicos também registraram queda nos embarques em maio, como celulose (-6,5%), produtos químicos (-8,4%) e derivados de cacau (-14,9%). Por outro lado, a agropecuária apresentou desempenho positivo. As exportações do setor cresceram 26,9% na comparação com maio de 2025, impulsionadas principalmente pelo aumento das vendas de soja.
Na indústria de transformação, entretanto, houve recuo de 14,6%, refletindo a desaceleração do refino, da celulose e dos derivados de cacau. Já a indústria extrativa foi impactada pela redução das exportações de minério de cobre e níquel, apesar do avanço das vendas de ouro, favorecidas pela valorização internacional do metal diante das incertezas geopolíticas e econômicas globais.
China ganha espaço e EUA perdem relevância
A China manteve a liderança como principal destino das exportações baianas e ampliou sua participação. Em maio, as vendas para o mercado chinês cresceram 22,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Em sentido contrário, os Estados Unidos perderam espaço na pauta exportadora estadual. As exportações para o mercado norte-americano recuaram 27,8% em maio, fazendo o país cair para a quarta posição entre os principais compradores dos produtos baianos, atrás de Canadá e Países Baixos.
No acumulado do ano, a participação dos Estados Unidos nas exportações da Bahia caiu de 8% para 6,3%. O cenário pode se tornar ainda mais desafiador diante da proposta de aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros, atualmente em consulta pública pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
Por blocos econômicos, as exportações para a Ásia recuaram 6,8% em maio. As vendas para a América do Norte cresceram 0,5%, enquanto os embarques para a América do Sul sofreram forte retração de 45%. Já os negócios com a União Europeia avançaram 3,4%.
Importações disparam
As importações alcançaram US$ 1,09 bilhão em maio, alta expressiva de 65,9% frente ao mesmo mês de 2025. O movimento foi impulsionado principalmente pela compra de bens de consumo, com destaque para os veículos elétricos chineses.
Também houve crescimento significativo das compras de bens de capital, que avançaram 116,3%, indicando investimentos em máquinas e equipamentos. As importações de bens intermediários, como fertilizantes, trigo e produtos químicos, cresceram 20%.
Em contrapartida, as compras de combustíveis registraram queda de 23%.
Superávit encolhe
Nos cinco primeiros meses de 2026, a Bahia acumulou superávit comercial de US$ 29,4 milhões. No período, as exportações somaram US$ 4,68 bilhões, com crescimento de 0,8%, enquanto as importações atingiram US$ 4,65 bilhões, avançando 21,1% na comparação com igual período do ano passado.
A corrente de comércio — indicador que soma exportações e importações — alcançou US$ 9,32 bilhões até maio, registrando expansão de 10%, sinalizando maior dinamismo das relações comerciais do estado com o mercado internacional.
O que os números da balança comercial revelam?
O resultado de maio traz um sinal de alerta e, ao mesmo tempo, importantes pistas sobre a atual fase da economia baiana. A primeira delas é a forte dependência da pauta exportadora em relação a poucos segmentos industriais. A queda abrupta dos embarques do setor de refino foi suficiente para puxar para baixo o resultado geral das exportações do estado. Isso mostra como oscilações operacionais, regulatórias ou geopolíticas podem produzir impactos significativos sobre a balança comercial baiana.
Outro aspecto relevante é o avanço da agropecuária. O crescimento das exportações de soja ajudou a compensar parte das perdas da indústria, reforçando o peso crescente do agronegócio na geração de divisas para o estado. O movimento, porém, reacende uma discussão recorrente: a necessidade de ampliar a participação de produtos industrializados e de maior valor agregado na pauta exportadora.
A perda de espaço dos Estados Unidos também merece atenção. Embora a China continue ampliando sua relevância como principal parceira comercial da Bahia, a redução da participação norte-americana aumenta a concentração geográfica das exportações. Em um ambiente global marcado por disputas comerciais e novas barreiras tarifárias, depender excessivamente de poucos mercados pode elevar riscos para exportadores e para a indústria local.
Do lado das importações, o crescimento de 65,9% merece uma leitura mais cuidadosa. Parte desse avanço decorre da entrada de veículos elétricos chineses, mas também chama atenção o salto de mais de 116% nas compras de máquinas e equipamentos. Esse indicador costuma ser interpretado como um sinal positivo, pois sugere investimentos produtivos e modernização da capacidade industrial.
O resultado final mostra uma Bahia com comércio exterior mais movimentado, mas também mais pressionado. A corrente de comércio cresceu 10%, evidenciando maior integração com os mercados globais. Entretanto, o superávit comercial encolheu significativamente diante do avanço das importações.
Para a indústria baiana, o principal desafio permanece o mesmo: ampliar competitividade, diversificar mercados e aumentar a participação de produtos de maior valor agregado nas exportações. Em um cenário internacional cada vez mais volátil, essa estratégia será decisiva para reduzir vulnerabilidades e sustentar o crescimento econômico do estado nos próximos anos.
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