
A WEG ampliou o projeto da nova fábrica de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS), em construção em Itajaí (SC). Anunciada originalmente em fevereiro, a unidade terá agora capacidade anual de 4 GWh, o dobro dos 2 GWh previstos inicialmente, e investimento total estimado em R$ 330 milhões. A entrada em operação continua programada para o segundo semestre de 2027.
A expansão do projeto inclui maior nível de automação e ganhos de eficiência industrial, segundo comunicado divulgado pela companhia nesta sexta-feira (25). A decisão ocorre às vésperas do primeiro Leilão de Reserva de Capacidade na modalidade armazenamento, previsto para dezembro de 2026, e reforça a aposta da WEG no desenvolvimento do mercado brasileiro de baterias para o sistema elétrico.
O movimento muda de forma significativa a dimensão industrial anunciada pela companhia há sete meses. Em fevereiro, a WEG previa uma capacidade de até 2 GWh por ano, equivalente a cerca de 400 sistemas BESS de 5 MWh. O projeto já contemplava linhas automáticas e semiautomáticas de montagem, robôs móveis autônomos para movimentação interna, além de laboratório para testes, desenvolvimento e qualificação de produtos e uma subestação para simulação de condições reais de operação.
Agora, a capacidade projetada sobe para 4 GWh anuais, sinalizando que a companhia está dimensionando a planta para um mercado potencialmente maior do que o previsto no anúncio inicial. A WEG, porém, não detalhou no novo comunicado quanto da ampliação do investimento de R$ 330 milhões corresponde especificamente à expansão de capacidade ou à incorporação dos novos sistemas de automação.
Um projeto que ganhou escala
A nova fábrica será dedicada à produção de Battery Energy Storage Systems (BESS), equipamentos que armazenam eletricidade em baterias para posterior utilização. A tecnologia ganha importância à medida que aumenta a participação de fontes intermitentes, principalmente solar e eólica, no sistema elétrico.
Na prática, os sistemas permitem guardar energia nos momentos de maior disponibilidade e disponibilizá-la quando necessário. Isso amplia a flexibilidade da operação do sistema, contribui para a estabilidade da rede e pode melhorar o aproveitamento da geração renovável.
É justamente essa necessidade que coloca o armazenamento no centro de uma nova etapa da transição energética. O avanço da geração solar e eólica trouxe ganhos de oferta renovável, mas também aumentou a necessidade de soluções capazes de deslocar energia no tempo e responder rapidamente às oscilações do sistema.
WEG se posiciona antes de um novo mercado
O calendário ajuda a explicar a ampliação.
Quando anunciou a fábrica, em fevereiro, a WEG citava a expectativa do primeiro leilão voltado a projetos de armazenamento de energia, então previsto para abril de 2026. O cronograma agora considerado pela companhia aponta para dezembro de 2026.
A proximidade do leilão transforma a fábrica em uma aposta não apenas tecnológica, mas também industrial. A WEG estará ampliando sua capacidade de produção justamente quando o país começa a estruturar mecanismos específicos para contratar armazenamento como recurso de segurança e flexibilidade do sistema elétrico.
O novo projeto também reforça uma estratégia já apresentada pela companhia de ampliar sua atuação em soluções associadas à transição energética, com equipamentos desenvolvidos e fabricados no Brasil.
R$280 milhões de financiamento
No anúncio original, a WEG informou ter obtido R$280 milhões em financiamento pelo programa BNDES Mais Inovação, dentro de uma chamada voltada à transformação de minerais estratégicos para a transição energética e a descarbonização, realizada em parceria com a Finep.
Na ocasião, a empresa estimava a criação de aproximadamente 90 empregos diretos com a operação da nova fábrica.
Como o comunicado desta sexta-feira informa um investimento total de R$ 330 milhões, mas não apresenta uma nova estrutura de financiamento, os R$ 280 milhões devem ser tratados como o financiamento anunciado anteriormente – e não como o valor anterior do investimento total.
O que muda para o mercado
A ampliação de 2 GWh para 4 GWh por ano é, neste momento, o principal dado novo do projeto.
Mais do que uma expansão física, ela indica uma mudança na escala com que a WEG pretende disputar o mercado de armazenamento de energia. A empresa passa a preparar uma estrutura produtiva capaz de atender projetos de maior porte em um segmento que ainda está em formação no Brasil.
O BESS pode cumprir diferentes funções no sistema elétrico, como armazenar excedentes de geração renovável, deslocar energia para horários de maior demanda e oferecer recursos de flexibilidade para a operação da rede. Para um país com rápida expansão de solar e eólica, essa capacidade tende a ganhar importância.
A WEG já vem ampliando sua presença nesse mercado. Em julho, por exemplo, a companhia divulgou uma solução BESS integrada à geração solar para uma operação do agronegócio no Paraná. Em maio, anunciou também o fornecimento de BESS para contribuir com a estabilidade da rede elétrica na Finlândia.
A nova fábrica de Itajaí, portanto, aparece como um passo seguinte: sair de uma atuação baseada em projetos e soluções e ampliar a capacidade industrial para atender um mercado de armazenamento que começa a ganhar escala no Brasil.
Para a WEG, o desafio agora será transformar os 4 GWh de capacidade projetada em contratos, enquanto o mercado brasileiro define as regras, os modelos de remuneração e a demanda efetiva por armazenamento.
A fábrica deve estar pronta no segundo semestre de 2027. Até lá, o primeiro leilão nacional de armazenamento e a evolução da regulação serão dois dos principais indicadores para medir o tamanho desse novo mercado.
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