
A produção industrial da Bahia caiu 4,3% em julho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado, mantendo uma sequência de três meses de retração nessa base de comparação. O resultado foi pior que a média nacional, que recuou 0,5%, e colocou o estado entre os cinco locais com pior desempenho entre os 18 pesquisados pelo IBGE.
O número mostra que a melhora observada na passagem de junho para julho ainda não foi suficiente para mudar o quadro da indústria baiana. No mês, a produção avançou 0,4%, já descontados os efeitos sazonais, marcando o segundo resultado positivo consecutivo. Em maio e junho, o avanço havia sido de 1,6%.
A distância entre os dois indicadores é importante. Na comparação mensal, a indústria baiana ensaiou uma recuperação. Na comparação anual, porém, continua produzindo menos do que há um ano. E é justamente essa segunda medida que ajuda a dimensionar a trajetória do setor em 2026.
Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) Regional, divulgada pelo IBGE.
No acumulado de janeiro a julho, a produção industrial da Bahia registra queda de 4,9% frente ao mesmo período de 2025. É uma das maiores retrações entre os 18 locais pesquisados e contrasta com o desempenho da indústria brasileira, que acumula crescimento de 1,1% no período.
A situação também aparece no horizonte de 12 meses. Até julho, a indústria baiana acumula retração de 2,9%, enquanto a produção nacional apresenta alta de 0,6%.
Química e petróleo pesam sobre resultado
A queda de julho foi concentrada na indústria de transformação, cuja produção recuou 4,7% frente a julho de 2025. A indústria extrativa, por outro lado, avançou 1,8% e registrou o quarto resultado positivo consecutivo nessa comparação.
Dentro da transformação, seis das dez atividades pesquisadas pelo IBGE apresentaram queda.
O principal impacto negativo veio da fabricação de produtos químicos, que despencou 16,6% na comparação anual. O segmento acumula três meses seguidos de retração e queda de 6,4% no ano.
O resultado chama atenção porque a indústria química tem forte peso na estrutura produtiva baiana e mantém estreita relação com o complexo industrial do estado. A retração do segmento, portanto, tem efeito relevante sobre o índice geral.
Outro peso importante veio da fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, cuja produção caiu 4,8%. Foi a segunda maior contribuição negativa para o resultado de julho. A atividade também acumula três meses de queda e recua 8,1% no ano.
Os dois segmentos ajudam a explicar por que uma alta pontual na comparação mensal ainda não se transformou em recuperação consistente da indústria baiana.
Alimentos e celulose seguram queda
Nem todos os segmentos tiveram desempenho negativo. A fabricação de produtos alimentícios cresceu 1,9% em julho e foi a principal influência positiva sobre o resultado da indústria baiana.
O setor mantém uma sequência de 11 meses de crescimento, desde setembro de 2025, e acumula alta de 6,3% em 2026, o melhor desempenho entre as atividades industriais pesquisadas no estado.
A fabricação de celulose, papel e produtos de papel também avançou, com alta de 3,8% na comparação com julho do ano passado. Foi o segundo principal impacto positivo no mês. Apesar disso, o segmento ainda acumula queda de 2,3% no ano.
A maior alta percentual de julho veio da fabricação de produtos de minerais não metálicos, que cresceu 7,4%. Como tem peso menor na composição da indústria baiana, entretanto, seu impacto sobre o resultado geral foi mais limitado. O segmento acumula alta de 2,6% em 2026 e registra três meses consecutivos de crescimento.
Bahia fica entre os piores resultados do país
O desempenho baiano de julho também chama atenção quando comparado ao de outros estados. A queda de 4,3% foi a quinta mais intensa entre os 18 locais pesquisados pelo IBGE.
Pará (-8,9%), Maranhão (-6,3%) e Rio Grande do Norte (-4,5%) tiveram retrações maiores. Apenas seis locais apresentaram crescimento na comparação com julho de 2025, liderados por Espírito Santo (12,8%), Rio Grande do Sul (7,0%) e Rio de Janeiro (3,3%).
Na passagem de junho para julho, porém, o cenário foi diferente. A Bahia cresceu 0,4%, desempenho ligeiramente superior à média nacional, de 0,2%, e o sétimo melhor entre os 15 locais com dados disponíveis nessa comparação.
O contraste entre os indicadores resume o momento da indústria baiana: há sinais pontuais de recuperação no curto prazo, mas a produção ainda está abaixo do nível registrado um ano atrás e acumula uma retração expressiva em 2026.
ANÁLISE INDÚSTRIA NEWS
O dado mais importante da pesquisa do IBGE não está no avanço de 0,4% entre junho e julho, mas na queda de 4,3% em relação a julho de 2025. É essa comparação que revela a dificuldade da indústria baiana de recuperar o terreno perdido.
O problema também não está distribuído de maneira uniforme. Química e derivados de petróleo, dois segmentos de peso na estrutura industrial do estado, estão entre os principais freios da atividade. Em contrapartida, alimentos, celulose e minerais não metálicos apresentam trajetórias positivas.
A questão para os próximos meses será saber se os setores que estão crescendo conseguirão ganhar escala suficiente para compensar a perda de produção nas atividades de maior peso. Por enquanto, os números do IBGE ainda apontam para uma indústria baiana em processo de recuperação incompleta.
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