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Silvicultura

A conta que não fecha na economia florestal da Bahia

Área de florestas plantadas cresceu 8,8% e produção de madeira em tora avançou 17,1%, mas valor gerado pela silvicultura caiu 14,3% em 2025

MARCELO SAMPAIO por MARCELO SAMPAIO
24/09/2026
em Papel & Celulose
Tempo de Leitura: 5 minutos
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CONTEÚDO ORIGINAL

A  produção florestal da Bahia perdeu força em 2025, mas os números divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (24) mostram uma mudança mais complexa do que uma simples retração. O valor gerado pela extração vegetal e pela silvicultura caiu 13,2% em relação a 2024, para R$1,952 bilhão, depois de cinco anos consecutivos de crescimento. A queda veio exclusivamente da silvicultura, enquanto a extração vegetal registrou o quinto avanço anual seguido.

O resultado também revela uma aparente contradição: a Bahia ampliou em 8,8% a área destinada a florestas plantadas e aumentou em 17,1% a produção de madeira em tora, mas o valor gerado pela madeira caiu 15,1%. Isso coloca no centro da discussão não apenas quanto o estado produz, mas quanto consegue transformar essa produção em valor econômico.

Mesmo com a retração, a Bahia permaneceu como o oitavo estado brasileiro em valor da produção primária florestal, respondendo por 4,1% dos R$ 47,9 bilhões movimentados pelo setor no país em 2025. Minas Gerais liderou, com R$ 9,4 bilhões, seguido por Paraná e Mato Grosso do Sul.

IBGE  silvicultura

Silvicultura ainda domina a conta

A silvicultura continua sendo, de longe, o principal componente da economia florestal baiana. Em 2025, respondeu por 91,7% de todo o valor gerado pelo setor, ou R$1,791 bilhão.

O problema foi a queda de 14,3% em relação a 2024, quando a atividade havia movimentado R$2,089 bilhões. Foi a primeira redução da silvicultura baiana depois de cinco anos de crescimento.

A composição desse resultado ajuda a entender o movimento.

A produção de madeira em tora saltou de 14,9 milhões para 17,5 milhões de metros cúbicos, alta de 17,1%. O aumento de 2,56 milhões de m³ foi o segundo maior entre os estados brasileiros, atrás apenas de Mato Grosso do Sul.

Com isso, a Bahia passou da sétima para a quinta posição entre os maiores produtores nacionais de madeira em tora de florestas plantadas.

Mas a maior produção não significou maior receita. O valor gerado pela madeira em tora caiu para R$1,6 bilhão, uma redução de 15,1%.

É um dado que merece atenção da indústria de base florestal. A Bahia está colocando mais madeira no mercado, mas o valor econômico capturado por esse volume diminuiu.

Extremo sul continua no centro da produção

O mapa da silvicultura confirma a concentração da atividade no extremo sul baiano.

Caravelas, Nova Viçosa e Mucuri aparecem entre os dez maiores produtores brasileiros de madeira em tora de florestas plantadas. Juntos, os três municípios produziram milhões de metros cúbicos em 2025, reforçando o peso da região na cadeia florestal.

Caravelas também manteve a maior área de silvicultura da Bahia, com 75.102 hectares, equivalente a 12,7% de toda a área estadual destinada às florestas plantadas.

No total, a Bahia passou de 544.962 para 592.694 hectares de área de silvicultura em apenas um ano. Foi a primeira expansão depois de cinco anos consecutivos de queda.

O movimento acompanha uma tendência nacional. A área brasileira de florestas plantadas chegou a 10,38 milhões de hectares em 2025, alta de 4,8%. A Bahia responde por 5,7% desse território.

Silvicultura

Carvão e lenha perdem produção

Nem todos os segmentos da silvicultura acompanharam o avanço da madeira. A produção de carvão vegetal de florestas plantadas caiu 15%, para 127,8 mil toneladas. O valor gerado recuou 5,6%, para R$ 127,7 milhões. Mesmo assim, a Bahia permaneceu como o quarto maior produtor nacional.

Na lenha, a queda foi de 7%, para 893,5 mil m³. O estado caiu da nona para a décima posição entre os produtores brasileiros, enquanto o valor da atividade recuou 8,2%, para R$ 61,5 milhões.

Entre Rios aparece como principal município baiano nos dois produtos: liderou a produção estadual de carvão e também a de lenha de florestas plantadas.

Extração vegetal segue outro caminho

Se a silvicultura puxou o resultado para baixo, a extração vegetal funcionou como contraponto.

A atividade gerou R$ 161,4 milhões em 2025, alta de 0,9%. Foi o quinto crescimento anual consecutivo, levando a Bahia a manter a nona posição nacional em valor.

Nos produtos madeireiros extraídos diretamente da natureza, porém, a trajetória foi de queda. Carvão, lenha e madeira em tora registraram redução de volume.

A extração de madeira em tora chegou a 143.871 m³, o menor volume da série baiana desde 1986. O resultado ajuda a mostrar a mudança estrutural da atividade florestal: enquanto a produção oriunda de florestas plantadas ganha escala, a exploração de madeira nativa perde espaço.

A força dos produtos que não aparecem nas grandes florestas

É nos produtos não madeireiros que aparece uma outra Bahia florestal. O estado terminou 2025 na liderança nacional da extração de castanha-de-caju, piaçava, licuri e urucum.

Na castanha-de-caju, foram 608 toneladas, equivalentes a 30,4% da produção brasileira. Quatro municípios baianos estão entre os dez maiores produtores nacionais.

Na piaçava, a Bahia produziu 4.668 toneladas e assumiu a liderança nacional, superando o Amazonas. Nove dos dez maiores municípios produtores do país estão no estado, com Canavieiras, Nilo Peçanha e Jaguaripe nas três primeiras posições.

O licuri também tem uma geografia predominantemente baiana. Foram 992 toneladas em 2025, e nove dos dez maiores municípios produtores do país estão no estado.

Mais importante: a Bahia liderou também o valor gerado pela castanha, pela piaçava e pelo licuri.

São cadeias menores quando comparadas à indústria de celulose e madeira, mas têm uma característica econômica diferente: estão diretamente associadas a comunidades, territórios e atividades extrativistas tradicionais.

O que fica desse resultado

Os dados da PEVS 2025 mostram duas economias florestais convivendo dentro da Bahia.

De um lado, existe uma cadeia industrializada, baseada em florestas plantadas, madeira em tora e grandes áreas de produção, concentrada principalmente no extremo sul. Ela continua sendo responsável pela maior parte do dinheiro movimentado pelo setor.

De outro, existe uma economia extrativista de menor escala, mas com forte identidade territorial, representada por piaçava, licuri, castanha-de-caju e outros produtos não madeireiros.

O ponto mais interessante está justamente na transição entre esses dois mundos.

A Bahia produziu mais madeira plantada em 2025 e ampliou a área florestal, mas o valor total da silvicultura caiu. Ao mesmo tempo, produtos extrativistas mantiveram mercados e posições de liderança nacional.

A fotografia de 2025, portanto, não é de perda de relevância da economia florestal baiana. É de mudança na forma como essa riqueza está sendo produzida e capturada.

E esse talvez seja o dado que merece ser acompanhado nos próximos anos: se o aumento da área plantada e da produção de madeira conseguirá voltar a se transformar em crescimento de valor para a cadeia florestal baiana.


Leia também: O que falta para a indústria química do Brasil voltar a competir


FOTOB DA CAPA:  Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias

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Tags: BahiaBrasilCaravelascarvãoflorestas plantadasmadeiraMucuriNova Viçosasilvicultura
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