
O Porto de Ilhéus começa a ampliar sua participação na logística mineral da Bahia com uma nova operação de exportação de magnesita. O terminal concluiu nesta segunda-feira (24) uma movimentação simultânea de 35 mil toneladas de cargas minerais, sendo 20 mil toneladas de níquel e 15,2 mil toneladas de magnesita bruta, em dois navios.
O principal movimento novo está na magnesita. Produzida pela RHI Magnesita em Brumado, no sudoeste baiano, a carga segue para Ghent, na Bélgica, em uma rota que conecta diretamente uma das principais regiões minerais do estado ao mercado europeu.
A operação foi realizada pelo navio MV Nord Copenhagen, de bandeira dinamarquesa. Para o Porto de Ilhéus, o embarque representa mais do que uma nova carga: abre uma alternativa logística para um produto que até então não fazia parte da movimentação regular do terminal.
A expectativa é de que esse fluxo ganhe escala. Segundo informações dos operadores envolvidos, a movimentação de magnesita poderá começar em aproximadamente 100 mil toneladas por ano, com possibilidade de chegar a 150 mil toneladas anuais a partir de 2028.
Mineração ganha espaço na logística de Ilhéus
A nova operação ocorre ao mesmo tempo em que o porto movimenta 20 mil toneladas de níquel, proveniente da planta da Atlantic Nickel, em Itagibá. A carga embarcada no MV Eco Nemesis segue para a Finlândia.
Na prática, os dois embarques mostram o potencial do terminal para atender diferentes cadeias minerais baianas. São cargas distintas, com origens e mercados de destino diferentes, mas que utilizam a mesma infraestrutura portuária para alcançar o mercado internacional.
A operação simultânea também ganha relevância pelo efeito sobre a logística. Brumado e Itagibá estão entre os polos minerais do interior baiano, e a utilização de Ilhéus cria uma conexão mais direta entre essas áreas produtoras e os mercados externos.
A infraestrutura disponível no terminal permite a movimentação e o armazenamento de cargas a granel, o que favorece operações desse tipo.
Nova rota para a magnesita
A entrada da magnesita na operação do Porto de Ilhéus pode ser particularmente relevante para a RHI Magnesita, que possui uma importante operação mineral em Brumado.
A empresa extrai e beneficia magnesita utilizada como matéria-prima para produtos refratários, empregados em processos industriais de alta temperatura, principalmente nas indústrias de aço, cimento, metais não ferrosos e vidro.
O novo fluxo coloca o porto no caminho de uma cadeia industrial que começa no interior da Bahia e termina em mercados industriais europeus.
Se a projeção de 150 mil toneladas anuais a partir de 2028 se confirmar, a magnesita poderá se tornar uma carga relevante para o terminal e contribuir para aumentar a utilização de sua capacidade operacional.
ANÁLISE INDÚSTRIA NEWS
O dado mais importante da operação não está apenas nas 35 mil toneladas movimentadas nesta segunda-feira, mas no que pode vir depois.
A Bahia possui uma produção mineral relevante, mas a competitividade dessa atividade depende também de uma logística capaz de levar a carga do interior aos mercados consumidores com custo e previsibilidade. Quando um terminal como Ilhéus incorpora uma nova carga mineral, o efeito potencial ultrapassa os limites do porto.
A possibilidade de chegar a 150 mil toneladas anuais de magnesita reforça essa leitura. Se o fluxo se consolidar, o Porto de Ilhéus poderá ampliar seu papel como ponto de saída da produção mineral do sudoeste baiano, diversificando a matriz de cargas e criando uma alternativa aos corredores logísticos já utilizados pelo setor.
O embarque de níquel, realizado simultaneamente, reforça a mesma tendência: mais produtos minerais encontrando no litoral sul da Bahia uma porta para o comércio exterior.
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