
A Petrobras recolheu R$161 bilhões em tributos e participações governamentais no primeiro semestre de 2026, alta de 22,3% em relação aos R$131,7 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. O volume é o maior para um primeiro semestre desde 2022 e reforça o peso da companhia na arrecadação federal, estadual e municipal. O montante inclui R$106,1 bilhões em tributos próprios, R$37,2 bilhões em participações governamentais sobre a produção de petróleo e gás e R$17,7 bilhões em tributos retidos de terceiros. O levantamento da companhia considera os valores efetivamente pagos, pelo regime de caixa.
A maior parcela ficou com a União. Foram R$61,5 bilhões em tributos federais, aos quais se somaram os R$37,2 bilhões em participações governamentais. No total, R$98,7 bilhões foram destinados à esfera federal no semestre, valor equivalente, segundo a Petrobras, a cerca de 6,1% da arrecadação federal no período.
O crescimento foi de 28% sobre o primeiro semestre de 2025. A Petrobras atribui o avanço principalmente ao maior recolhimento de Imposto de Renda, royalties e imposto de exportação.

Estados concentram outra fatia relevante
Os governos estaduais receberam, direta ou indiretamente, uma parcela expressiva dos recursos gerados pela companhia. A Petrobras recolheu R$ 61,1 bilhões em tributos estaduais, alta de 14% na comparação anual.
O principal componente desse valor foi o ICMS incidente sobre produtos submetidos ao regime monofásico do imposto. De acordo com a empresa, o recolhimento representa aproximadamente 13,8% de toda a arrecadação dos estados.
A presença da Petrobras é especialmente relevante para algumas unidades da Federação, como Rio de Janeiro e São Paulo. Em 20 estados, os pagamentos realizados pela companhia representam mais de 10% da arrecadação de ICMS, considerando tanto os tributos devidos pelas próprias operações quanto aqueles recolhidos como substituta tributária.
Os municípios receberam cerca de R$1,2 bilhão, aumento de 17,5% sobre o primeiro semestre de 2025. O avanço foi associado principalmente à contratação de serviços, com recursos distribuídos entre ISS próprio, ISS retido de terceiros e IPTU.
Petróleo aumenta peso dos royalties
As participações governamentais também cresceram no período. Dos R$37,2 bilhões pagos pela Petrobras, R$25,7 bilhões correspondem a royalties e R$10,6 bilhões à participação especial.
Outros R$ 700 milhões foram pagos em bônus de assinatura e cerca de R$200 milhões em taxa de ocupação ou retenção de área.
Na comparação com os primeiros seis meses de 2025, as participações governamentais aumentaram 17%. A Petrobras relaciona o resultado principalmente ao crescimento dos royalties, consequência do aumento da produção de petróleo e da valorização da commodity.
O efeito combinado da produção e dos preços internacionais aparece com ainda mais clareza no acumulado de quatro trimestres. Nesse intervalo, a companhia recolheu R$ 306,7 bilhões em tributos e participações governamentais.
Bahia recebe R$600 milhões
Na Bahia, os recolhimentos informados pela Petrobras somaram R$600 milhões no primeiro semestre. Desse total, R$500 milhões correspondem ao ICMS e R$100 milhões às participações governamentais.
O valor coloca o estado dentro da extensa rede de arrecadação associada às operações da companhia, que incluem produção, refino, distribuição e outras atividades da cadeia de petróleo e gás.
A cifra ganha relevância adicional diante da dimensão da indústria de óleo e gás na economia baiana e da presença histórica da Petrobras no estado.
ANÁLISE INDÚSTRIA NEWS
O dado mais importante do relatório não está apenas nos R$161 bilhões recolhidos no semestre, mas na velocidade de crescimento dessa conta.
A Petrobras entregou aos cofres públicos R$29,3 bilhões a mais que no primeiro semestre de 2025. O aumento ocorre em um momento em que a companhia amplia a produção, especialmente no pré-sal, enquanto os preços do petróleo continuam sendo determinantes para royalties e participações especiais.
Há uma segunda leitura importante. A arrecadação da Petrobras não se limita à União. Mais de R$61 bilhões chegaram aos estados na forma de tributos, mostrando como a atividade da companhia se espalha pela economia e pelas contas públicas muito além das áreas diretamente produtoras de petróleo.
Na Bahia, entretanto, os R$600 milhões informados para o semestre representam uma parcela pequena diante do que a Petrobras recolheu nacionalmente. Isso também revela a concentração econômica da atual fronteira petrolífera brasileira: quanto maior o peso do pré-sal na produção, maior tende a ser a participação de estados e municípios diretamente beneficiados por essa atividade.
O relatório, portanto, funciona como uma fotografia de um dos efeitos fiscais da expansão da produção de petróleo. Mais barris produzidos significam mais receita para a companhia, mas também uma arrecadação maior para o setor público, especialmente quando produção e preço caminham na mesma direção.
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