
A construção naval baiana ganhou um novo contrato com a encomenda de quatro rebocadores para a operação portuária da SAAM Towage no Brasil. As embarcações serão produzidas pelo Estaleiro Belov, na Baía de Aratu, e fazem parte do plano de renovação e expansão da frota da companhia, que atualmente opera em 19 portos brasileiros com mais de 65 embarcações.
O acordo foi formalizado na última quarta-feira (19), durante a 20ª edição da Navalshore, no Rio de Janeiro, em cerimônia realizada no estande do Grupo Belov. O contrato havia sido anunciado pela SAAM Towage em junho e agora avançou para a etapa de formalização pública durante a principal feira do setor naval na América Latina.
O projeto prevê a construção de quatro rebocadores azimutais de 70 toneladas de bollard pull, medida utilizada para indicar a capacidade de tração de uma embarcação. Os navios serão projetados pela Robert Allan, empresa especializada em arquitetura naval, e terão sistemas voltados a operações portuárias e de apoio marítimo.
Entre os equipamentos previstos está o sistema FiFi 1, certificado para combate a incêndios externos. Os rebocadores também terão passadiço com maior campo de visibilidade, característica importante em operações que exigem manobras próximas a navios, terminais e outras estruturas portuárias.
Contrato coloca a Bahia no centro da expansão
O efeito mais relevante do acordo para a Bahia está além das quatro embarcações. A contratação reforça a capacidade do Estaleiro Belov, instalado na Baía de Aratu, de participar de projetos de maior porte destinados à infraestrutura marítima brasileira.
A SAAM Towage esteve no estaleiro em junho, quando conheceu as instalações e o processo de expansão e modernização da unidade. A empresa vê o Brasil como um dos mercados estratégicos para seu crescimento e pretende renovar gradualmente os ativos utilizados em suas operações.
“Estamos fortalecendo nossa operação nos mercados em que atuamos com ativos de última geração. O Brasil é um dos países mais importantes para a nossa companhia e, por isso, nosso foco é continuar crescendo e oferecendo o melhor serviço aos nossos clientes”, afirmou Renata Ervilha, country manager da SAAM Towage no Brasil.
A executiva também destacou o impacto local do projeto. Segundo ela, a construção dos rebocadores em parceria com a Belov contribui para movimentar a cadeia logística e industrial ligada à atividade marítima em Salvador e na Bahia.
A escolha do estaleiro baiano ocorre em um momento em que a indústria naval brasileira busca ampliar a participação de fornecedores e fabricantes nacionais em projetos ligados à logística portuária, petróleo, gás e offshore. Rebocadores são ativos essenciais para esse sistema: fazem a movimentação e o apoio a navios em áreas portuárias, operações de atracação e desatracação e situações que exigem maior capacidade de manobra.
Frota
Com as novas unidades, a SAAM Towage avança na estratégia de renovação da frota brasileira. A companhia opera atualmente em 19 portos e possui mais de 65 embarcações no país.
Os quatro novos rebocadores terão características voltadas a operações de alta exigência, combinando capacidade de tração, sistemas de segurança e maior eficiência operacional.
Para o Grupo Belov, o contrato também representa uma oportunidade de consolidar o estaleiro baiano como fornecedor de embarcações para operadores internacionais. A empresa vem ampliando e modernizando sua estrutura na Baía de Aratu para atender projetos de construção e manutenção naval.
A cerimônia de assinatura ocorreu durante a Navalshore 2026, evento que reúne empresas de construção naval, operadores portuários, fornecedores de equipamentos e prestadores de serviços do setor.
ANÁLISE INDÚSTRIA NEWS
O ponto mais importante desse contrato é que uma demanda de renovação de frota de uma operadora internacional se transforma em encomenda para um estaleiro instalado na Bahia.
Isso conecta três mercados: a operação portuária, a construção naval e a cadeia de fornecedores. A construção dos quatro rebocadores não deve ser analisada apenas pelo número de embarcações, mas pela capacidade de gerar atividade para empresas de engenharia, equipamentos, sistemas navais, metalurgia, manutenção e serviços especializados.
Para a Bahia, o movimento ganha relevância porque amplia a utilização da infraestrutura industrial da Baía de Aratu. O desafio, daqui para frente, é transformar contratos pontuais em uma carteira recorrente de encomendas. É isso que pode dar escala à indústria naval baiana e aumentar sua participação em um mercado que acompanha o crescimento da movimentação portuária e das atividades offshore no país.
Leia também: Petrobras inicia negociação para blocos exploratórios em Gana


















