A Bahia fechou 2025 com a menor taxa de desemprego de sua história, 8,7%, mas o ganho de emprego ainda não se traduziu em melhoria significativa na renda. O rendimento médio real dos trabalhadores chegou a R$2.284, crescimento tímido de apenas 1,8% em relação a 2024, o 2º mais baixo do país. O paradoxo é evidente: mais pessoas estão trabalhando, mas a remuneração segue limitada, mantendo o poder de compra da população em níveis baixos e reforçando desigualdades históricas. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada hoje (20) pelo IBGE.
O avanço do emprego foi impulsionado pelo crescimento da população ocupada, que atingiu 6,511 milhões de pessoas, aumento de 3,4% em um ano, e pela queda da população desocupada, que recuou 18,8%, chegando a 621 mil pessoas.
No entanto, a informalidade voltou a subir, chegando a 52,8% da força de trabalho, impulsionada pelo crescimento do trabalho por conta própria sem CNPJ. Em outras palavras, 8 em cada 10 novas vagas criadas em 2025 foram precárias, sem direitos garantidos ou segurança jurídica.
A distribuição de rendimento também mostra fragilidades. Enquanto a massa salarial total do estado atingiu R$14,587 bilhões, recorde histórico, o aumento foi concentrado em grupos de baixa formalidade e rendimento individual, especialmente autônomos e trabalhadores informais. Salvador e municípios da região metropolitana tiveram aumentos no rendimento médio, mas continuam entre os mais baixos do país, reforçando que o crescimento do emprego não é sinônimo de avanço econômico real para a população.

O teto de vidro da economia baiana
O fechamento de 2025 consolida uma mudança no perfil da crise baiana. O problema deixou de ser a falta absoluta de postos – já que o estoque de trabalhadores é o maior da história – e passou a ser a qualidade da inserção.
A dependência extrema da informalidade e do trabalho autônomo de baixa produtividade cria um “teto de vidro” para o PIB estadual. A massa de rendimento até cresceu (R$ 14,5 bilhões), mas impulsionada mais pelo volume de pessoas do que pelo valor dos salários.
Sem uma política de reindustrialização ou atração de serviços de alto valor agregado, a Bahia corre o risco de normalizar o fenômeno do “trabalhador pobre”: aquele que está ocupado, mas cuja renda mal supre as necessidades básicas.

O paradoxo do trabalho na Bahia
Recordes históricos e o “Top 3” do desemprego
- Taxa de desocupação estadual: 8,7% em 2025, queda pelo 4º ano consecutivo
- Salvador:8,9%, menor desde 2012, mas ainda entre as capitais com maior desemprego.
- Região Metropolitana de Salvador (RMS): 10,1%, a mais alta entre as regiões metropolitanas do país, mesmo com queda histórica.
- Ponto crítico: apesar da redução, a Bahia continua acima da média nacional (5,6%) e entre os estados com maior desocupação.
- Análise: A redução do desemprego mostra dinamismo do mercado, mas os ganhos ainda não refletem melhorias estruturais na qualidade do emprego.
Crescimento da população ocupada x informalidade
- Número de trabalhadores cresceu 3,4% (mais 216 mil pessoas) e atingiu 6,511 milhões.
- População desocupada caiu 18,8%, chegando a 621 mil pessoas, menor patamar da série histórica.
- Informalidade voltou a subir: 8 em cada 10 novas contratações foram informais (172 mil pessoas).
- Taxa de informalidade: 52,8%, 3ª maior do país.
- Análise: O crescimento do emprego é concentrado na informalidade e no trabalho por conta própria. O avanço numérico não garante estabilidade ou direitos trabalhistas, mantendo vulnerabilidades estruturais.
Rendimentos ainda muito baixos
- Rendimento médio real da Bahia: R$ 2.284/mês, aumento de apenas 1,8% frente a 2024, a 3ª menor alta do país.
- Salvador: R$ 3.133 (+10,7%); RMS: R$ 2.945 (+5,4%). Apesar da elevação, continuam entre os mais baixos.
- Massa de rendimento real da Bahia (soma de todos os salários): R$ 14,587 bilhões, recorde histórico.
- Análise: Embora o total de renda em circulação cresça, a distribuição ainda é desigual e a baixa elevação do rendimento médio compromete o consumo interno e o poder aquisitivo da população.
Perfil do mercado de trabalho
- Trabalhadores por conta própria (autônomos) lideram o crescimento: +15,6% (251 mil), incluindo formais e informais.
- Empregados no setor privado com carteira: +1,2% (21 mil).
- Empregadores: -12% (menos 31 mil); setor público: -1,6% (menos 14 mil).
- Análise: A expansão da ocupação está concentrada em atividades de menor proteção social, reforçando que o crescimento do emprego não significa redução da vulnerabilidade econômica.
Principais conclusões
- Menor desemprego histórico, mas ainda elevado comparado à média nacional.
- Renda média baixa e crescimento tímido, limitando a melhora da qualidade de vida.
- Informalidade crescente, principalmente no setor autônomo, mantém fragilidade do mercado.
- Desalento em queda, mas Bahia continua liderando o ranking nacional.
- Massa salarial em alta indica mais dinheiro em circulação, mas não garante ganho real para a maioria.
- Reflexão estratégica: A Bahia apresenta sinais positivos no mercado de trabalho, mas o modelo ainda privilegia quantidade sobre qualidade. Políticas de formalização, capacitação e valorização salarial são urgentes para que a redução da desocupação se traduza em desenvolvimento real.
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