A divisa entre Bahia e Minas Gerais voltou ao centro do mapa mineral brasileiro. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) iniciou o “Projeto Geologia e Avaliação do Potencial Mineral da Província Grafítica-Pegmatítica Bahia–Minas Gerais” – uma área considerada promissora para minerais estratégicos como lítio, grafita e elementos terras raras.
O trabalho abrange municípios do sudoeste baiano, tradicionalmente ligado à agropecuária, como Itambé, Ribeirão do Largo, Encruzilhada, Itapetinga, Itororó, Macarani, Maiquinique e Itarantim – além das cidades mineiras de Mata Verde, Bandeira, Jordânia e Divisópolis. A proposta é clara: ampliar o mapeamento geológico básico, atualizar bases de dados e aprofundar o conhecimento sobre o potencial mineral da região.
Na prática, isso significa produzir quatro novos mapas geológicos na escala 1:100.000, quatro bancos de dados técnicos e uma nota explicativa até 2027, quando se encerram as etapas de campo.
O projeto é desenvolvido pelos pesquisadores do SGB Marcus Paulo Sotero, Luiza Lopes de Araújo, Denise Canabrava Brito, Renato de Assis Barros e Marina Nascimento Ramos
O projeto integra o Plano Decenal de Mapeamento Geológico Básico (PlanGeo 2025–2034) e está alinhado ao Plano Nacional de Mineração (PNM). Mas, mais do que um esforço técnico, a iniciativa reforça um movimento estratégico: colocar o Brasil – e especialmente a Bahia – na corrida global pelos minerais críticos da transição energética.
O pesquisador em geociências Julio Lombello, gerente de Geologia e Recursos Minerais da Superintendência Regional de Belo Horizonte do SGB, explica a importância do trabalho: “O projeto visa ampliar o conhecimento geológico de uma região com elevado potencial para minerais estratégicos, como lítio, elementos terras raras e grafita, contribuindo para o desenvolvimento econômico sustentável, o apoio à pesquisa e o fortalecimento da missão institucional do SGB”, diz.
Lítio é insumo central para baterias. Grafita é essencial na produção de ânodos para veículos elétricos. Terras raras são vitais para tecnologia de ponta, defesa e geração de energia renovável.
O subsolo pode estar preparando um novo ciclo econômico para a região. A pergunta agora é: quem vai transformar dado geológico em investimento real?
Análise
O que realmente aconteceu
O governo federal, por meio do SGB, iniciou um mapeamento detalhado de uma área com potencial para minerais estratégicos.
Traduzindo: o Estado está reduzindo risco geológico. E reduzir risco é o primeiro passo para atrair capital privado. Sem informação técnica consolidada, não há investimento robusto em mineração.
Por que isso importa
Transição energética e disputa global
Lítio, grafita e terras raras estão no centro da disputa geopolítica entre Estados Unidos, Europa e China. São insumos críticos para baterias, carros elétricos, painéis solares, turbinas e equipamentos de defesa. Quem controla a cadeia controla a indústria do futuro.
Oportunidade para a Bahia
Se confirmado potencial relevante, o sudoeste baiano pode entrar no mapa dos minerais críticos – ampliando o perfil econômico da região, tradicionalmente ligada à agropecuária.
Isso significa
- Nova dinâmica industrial
- Atração de investimentos
- Possível verticalização (beneficiamento local)
- Geração de empregos qualificados
Indústria e cadeia produtiva
Não se trata apenas de extrair minério. O ganho real está em:
- Processamento
- Refino
- Produção de componentes
- Integração com cadeias de baterias e tecnologia
Se a Bahia apenas exportar minério bruto, perderá valor agregado.
O que fazer com essa informação
Para empresários
- Monitorar. Antecipar movimentos.
- Áreas de apoio logístico, energia, serviços técnicos e infraestrutura podem ganhar protagonismo.
Para o setor público estadual
- Criar ambiente regulatório competitivo.
- Investir em infraestrutura e qualificação técnica.
- Atrair indústrias de processamento, não apenas mineração primária.
Para investidores
- Mapeamento geológico é sinal de que o radar está ligado.
- Onde há dado novo, há oportunidade antes da concorrência.
Conclusão estratégica
O projeto do SGB não é apenas um levantamento técnico. É um sinal de que o subsolo baiano pode ganhar relevância na economia de baixo carbono.
A questão central não é se há potencial. É se a Bahia vai liderar a cadeia – ou apenas assistir ao minério sair pela estrada.
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