O plano de saúde já é o segundo maior gasto com pessoal nas empresas brasileiras, abocanhando, em média, 15,8% da folha de pagamento. Em um cenário onde os reajustes de convênios saltaram surreais 383,5% na última década – contra uma inflação de 84% -, a indústria baiana encontrou na Atenção Primária à Saúde (APS) a saída para estancar o ralo financeiro e garantir produtividade.
O protagonista dessa virada é o “Sesi Acolhe”. Inspirado no modelo de “Saúde da Família”, o programa inova ao levar para dentro das fábricas uma estrutura robusta de prevenção e acompanhamento contínuo. Os números impressionam: o modelo é capaz de resolver 94% das queixas de saúde sem que o trabalhador precise buscar emergências ou especialistas fora do ambiente de trabalho.
Para quem decide o destino do capital, o resultado é direto. Hari Hartmann, CEO da Camisas Polo, resume a mudança de clima e de números: “Os colaboradores gostam, o absenteísmo diminuiu e a empresa está mais tranquila. Foi uma das melhores coisas que a gente podia fazer”, afirma o executivo, que viu a satisfação interna subir na mesma proporção em que as ausências caíram.
Essa eficiência também chegou à gigante calçadista Dass, em Vitória da Conquista, beneficiando quase sete mil funcionários. A estrutura permite desde o pré-natal e preventivos até o atendimento odontológico. “O Sesi trouxe essa estrutura inovadora para dentro da fábrica, proporcionando atendimento ágil e próximo”, destaca Loranny Gomes, enfermeira do Trabalho da unidade.
Cuidado integral contra o “presenteísmo”
Mais do que evitar faltas, o programa ataca o “presenteísmo” – quando o colaborador está no posto, mas sem condições plenas de saúde. Com foco em doenças crônicas como hipertensão e obesidade, que inflam os custos corporativos em até 75%, o Sesi Acolhe aposta no monitoramento preventivo.
“Focamos na resolução das queixas. Isso significa qualidade de vida e produtividade, porque não é apenas a consulta que faz o trabalhador se ausentar, mas a própria busca penosa pelo atendimento”, explica Luísa Lima, Gerente de Promoção da Saúde do Sesi Bahia.
Humanização e Estrutura
Para o trabalhador, a diferença está no acesso. Ana Lúcia dos Santos, funcionária da Polo Salvador, relata como o atendimento integrado, que une psicólogos, médicos e nutricionistas, mudou sua realidade: “A gente dependia muito do SUS; hoje a gente liga e já marca uma consulta”.
Com equipes multidisciplinares e linhas de cuidado que vão da saúde mental à saúde da mulher, o Sesi Acolhe deixa de ser apenas um benefício para se tornar uma ferramenta estratégica de gestão. Em um mercado onde a eficiência é questão de sobrevivência, cuidar da saúde virou um dos melhores investimentos da planilha industrial.
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