A partir desta sexta-feira (23), as operações de mineração que integravam o portfólio da Equinox Gold no Brasil passam a operar oficialmente sob a marca da CMOC, multinacional chinesa que entra, com o movimento, no segmento de ouro no país. A aquisição, anunciada em dezembro de 2025 e concluída neste mês após aval das autoridades regulatórias, envolve três ativos estratégicos: a Mina Aurizona, no Maranhão; o Complexo Bahia, formado pelas minas Fazenda e Santa Luz; e a Mina RDM (Riacho dos Machados), em Minas Gerais.
Juntas, as operações reúnem 5,013 milhões de onças de ouro em recursos e 3,873 milhões de onças em reservas. Em 2024, os ativos brasileiros produziram 247,3 mil onças de ouro, reforçando o peso do país – e da Bahia – no novo desenho do portfólio da companhia.
Fundada em 1969 e listada nas bolsas de Xangai e Hong Kong, a CMOC figura entre as 20 maiores mineradoras do mundo, com cerca de 30 mil empregados e atuação na Ásia, África, Europa e Américas. No Brasil desde 2016, a empresa já ocupa posições de destaque: é a segunda maior produtora mundial de nióbio e a segunda maior produtora nacional de fertilizantes fosfatados, com operações em Catalão e Ouvidor (GO) e Cubatão (SP).
Em 2025, a CMOC registrou receita superior a R$5,6 bilhões no país, com cerca de 6 mil empregos diretos e mais de 60 mil indiretos. A incorporação dos ativos de ouro amplia a diversificação do negócio e fortalece a presença da companhia no mercado mineral brasileiro.
Contexto: por que essa operação importa
A entrada da CMOC no ouro brasileiro vai além de uma simples troca de controle. Ela sinaliza um reposicionamento estratégico da companhia no país e reforça a atratividade da mineração brasileira, especialmente na Bahia, em um momento de reorganização global das cadeias minerais.
Para a Bahia, a mudança é relevante porque mantém – e potencialmente amplia – o protagonismo do estado na produção aurífera nacional. O Complexo Bahia, agora sob comando de um grupo global com forte capacidade de investimento, passa a integrar uma estratégia de longo prazo voltada à diversificação mineral, ganho de escala e eficiência operacional.
Além disso, a CMOC traz no currículo uma atuação consolidada em minerais estratégicos para a transição energética e a segurança alimentar, como nióbio e fosfato. Esse histórico tende a elevar o padrão de governança, investimentos em tecnologia e gestão de riscos, aspectos cada vez mais observados por investidores, fornecedores e comunidades locais.
O que observar a partir de agora
Para empresários e profissionais ligados à cadeia da mineração, logística, serviços industriais e energia, a operação abre um novo ciclo de oportunidades. A troca de controle costuma vir acompanhada de revisão de contratos, novos fornecedores, investimentos em eficiência e possíveis expansões operacionais.
No campo institucional, o desafio será acompanhar como a CMOC vai integrar as operações de ouro ao seu portfólio brasileiro, mantendo licenciamento ambiental, relações comunitárias e compromissos sociais, especialmente em territórios sensíveis como os do interior da Bahia.
Em síntese, a chegada da CMOC ao ouro brasileiro reforça uma tendência clara: a Bahia segue no radar global da mineração. A diferença, daqui em diante, estará na capacidade de transformar essa presença em desenvolvimento regional, encadeamento produtivo e geração de valor de longo prazo — para as empresas, para os municípios e para o estado.
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